terça-feira, 27 de agosto de 2013

Carta de um médico cubano


Respeito, solidariedade e ética

“Meu nome é Juan Carlos Raxach, cubano, que desde 1998 escolhi o Brasil como meu país de residência, e sinto o maior orgulho de ter me formado, em 1986, como médico em Havana, Cuba.

É com tristeza e dor que vejo as notícias publicadas pela mídia e nas redes sociais, a falta de respeito e de solidariedade proveniente de alguns colegas brasileiros, profissionais ou não da área da saúde, que atacam e desvalorizam os médicos formados em Cuba como uma forma de justificar a sua indignação às medidas tomadas pelo governo brasileiro no intuito de melhorar a qualidade dos serviços do SUS.

A qualidade humana e a alta qualificação dos profissionais de saúde cubanos têm permitido que ainda hoje, quando o país continua a enfrentar graves problemas econômicos que se alastram desde os anos 90, após a queda do campo socialista da Europa do leste, os índices de saúde da população cubana seguem colocados como exemplo para o mundo.

São índices de saúde alcançados através do trabalho interdisciplinar e intersetorial desses profissionais.

Por exemplo, em 2012 a mortalidade infantil em Cuba continuava sendo 4,6 por cada mil nascidos vivos, menor que o índice de Canadá e dos Estados Unidos.

A expectativa de vida é de 78 anos para os homens e 80 para as mulheres.

E já em 2011 existia um médico a cada 143 habitantes.

Em 2012, a dra. Margareth Chan, diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), reconheceu e elogiou o modelo sanitário de Cuba e destacou a qualidade do trabalho que realizam os profissionais de saúde e os cientistas cubanos, e felicitou às autoridades cubanas por colocar o ser humano no centro da sua atenção.

Não é desprestigiando nossos colegas de profissão, seja qual for o seu país onde tenha se formado, que vamos colocar em pauta e debater as verdadeiras causas da deterioração da qualidade dos serviços de saúde no Brasil.

Na hora de nos manifestar, o respeito, a solidariedade e a ética são necessários para estabelecer o diálogo e ir ao encontro da solução dos problemas.

Solidariamente,

Juan Carlos Raxach

Juan Carlos Raxach é assessor de projetos da Associação Brasileria Interdisciplicar de AIDS – ABIA

Ministra Luiza Bairros afirma que São Paulo é referência para o país na questão racial

Declaração foi feita sexta-feira (23/08), na capital paulista, durante solenidade de abertura da III Conferência de Promoção da Igualdade Racial do Estado. Mais de 500 delegadas e delegados debateram as propostas que encaminharão para a etapa nacional da Conferência em novembro
A ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial) afirmou sexta-feira (23/08) que o país inteiro tem expectativa na qualidade da participação das delegadas e dos delegados paulistas na III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial (III CONAPIR), que acontece em Brasília-DF, de 5 a 7 de novembro. A afirmação foi feita na solenidade de abertura da etapa estadual da Conferência e, segundo a chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), se justifica pela importância de São Paulo para a construção da história recente da população negra brasileira.

“Não existe nada sobre a questão racial no Brasil que não tenha passado por São Paulo, ou que não tenha, de algum modo, nascido aqui, ou se fortalecido quando chegou ou passou por esse estado”, declarou a ministra na cerimônia inicial da III Conferência de Promoção da Igualdade Racial do Estado de São Paulo. “Não podemos escrever a história recente do negro no Brasil sem passar pela experiência que cada um de vocês ajudou a fazer e contar”, disse ainda a chefe da SEPPIR para os mais de 500 delegados e delegadas eleitos nas conferências (18 regionais e 180 municipais), que antecederam o debate estadual.

“Também é de São Paulo que vamos tirar elementos que precisamos para fortalecer o nosso processo de luta. Do ponto de vista das várias políticas que existem hoje, e dessas que estão sendo avaliadas aqui, e depois em novembro, aqui em São Paulo temos a massa crítica necessária para poder fazer com que essas políticas avancem e sejam colocadas em um outro patamar”, afirmou ainda Luiza Bairros.

A ministra avaliou ainda, que São Paulo deve ter o maior número de especialistas que podem ajudar a definir estratégias para a efetiva incorporação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra pelo Sistema Nacional de Saúde, o SUS. O estado também foi destacado pela ministra na área da educação. “É daqui a organização que realiza uma das ações que mais incentiva a implementação da Lei 10.639, o CEERT, que é um prêmio para professoras e escolas que implementam a Lei de Diretrizes e Bases da Educação modificada pela LBD em todo o Brasil”, afirmou, dizendo que os delegados e delegadas paulistas têm muito a contribuir com propostas para tornar realidade o plano de implementação da lei, criado pela SEPPIR e pelo Ministério da Educação.

SinapirO Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (Sinapir), foi abordado pela ministra como um dos debates centrais da Conferência no que se refere à criação de arranjos institucionais que possam assegurar a sustentabilidade da política de promoção da igualdade racial. “São Paulo tem também a maior rede de órgãos de promoção da igualdade racial do país. E até por isso foi aqui, sob a liderança de Edna Roland, que é dirigente de igualdade racial do município de Guarulhos, juntamente com os nossos companheiros do conselho estadual, que se produziu as reflexões e as propostas mais consistentes para o nosso Sinapir”, afirmou.

Membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e da Comissão Organizadora Nacional da III CONAPIR, Manoel Júlio disse que o temário da Conferência foi bem escolhido, principalmente por causa da conjuntura do país. “Temos um conjunto de leis já aprovadas e porque não são efetivadas? Porque nós não estamos nos espaços de decisão?”, questionou o conselheiro, afirmando que a Conferência de São Paulo, estado que chamou de ‘maior da América Latina’, deve resultar em propostas que pensem o desenvolvimento social e inclusivo do Brasil.

Divergências
“Se a gente acirrar as diferenças não avança”, afirmou o secretário de Igualdade Racial do Município de São Paulo, Netinho de Paula, que destacou a importância das divergências nos processos democráticos, mas alertou para a necessidade de concentração dos delegados e delegadas na discussão do tema central da Conferência. “Precisamos afinar os nossos apitos é para brigar, lá adiante, por cotas no serviço público. E temos que ter força política para exigir, não para pedir”, completou o gestor, que classificou como corajosa a iniciativa do prefeito Fernando Hadad de implantar uma secretaria de promoção da igualdade racial (autorizada pelo Legislativo em maio), na cidade que chamou de mais preconceituosa do mundo.

“Espero que essa conferência caminhe para uma legítima decisão, porque até agora não decidimos nada da gente. Quem decidiu foram outros”, declarou a deputada estadual Leci Brandão (PCdoB-SP). Em alusão ao tema da CONAPIR, a parlamentar afirmou: “Não estou convencida do projeto de desenvolvimento do país; do modelo de mídia que discrimina religiões; da secretaria que não cumpre a Lei 10.639; dos partidos que não reservam 50% das vagas para mulheres”.

“Aqui é um espaço não só para refletir, mas também avaliar. Amanhã, é o dia de colocar os pingos nos ‘is’ e votar as propostas para a igualdade. Democracia significa ampliar o direito à educação, é alem de liberdade, reparação, e reparação significa acesso à educação”, declarou por sua vez a deputada federal Janete Pietá (PT-SP).

Também participaram da solenidade Elisa Lucas Rodrigues (coordenadora de políticas para a População Negra e Indígena), Marco Antonio Zito Alvarenga (presidente do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra), o professor Hélio Santos, Sandra Mariano (representante da Comissão Organizadora da Conferência de São Paulo).

Sobre a III Conapir 
A III Conapir será realizada em Brasília (DF) de 5 a 7 de novembro de 2013. Participam do evento cerca de 1,4 mil pessoas, sendo 200 convidados (autoridades, personalidades e representantes de entidades nacionais e internacionais) e 1,2 mil delegados. O processo foi iniciado em 21 de março, no aniversário de dez anos da SEPPIR, quando foi realizado o primeiro de uma série de seis seminários temáticos, em capitais das cinco regiões do país. As 26 Conferências dos Estados e a Distrital, que acontecem de 8 a 30 de agosto, debatem os assuntos que destrincharão o grande tema central da III Conapir: “Democracia e Desenvolvimento Sem Racismo: Por Um Brasil Afirmativo”.

domingo, 25 de agosto de 2013

Uma tragédia do passado que questiona o nosso presente

Mensagem de Irina Bokova, diretora-geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional para Relembrar o Tráfico de Escravos e a Abolição, 23 de agosto 2013

CNJ/Unesco

 
Por meio de suas lutas, de sua aspiração por dignidade e liberdade, os escravos contribuíram para a universalização dos direitos humanos.
Devemos ensinar os nomes dos heróis dessa história, porque eles são os heróis de toda a humanidade. Ao homenagear anualmente, em 23 de agosto, as mulheres e os homens que lutaram contra essa opressão, a UNESCO busca encorajar a reflexão e o debate sobre uma tragédia que deixou sua marca no mundo assim como ele é hoje.
Sob o Projeto A Rota do Escravo, a UNESCO visa a revelar a extensão e as consequências dessa tragédia humana e a retratar a riqueza das tradições culturais que povos africanos forjaram em meio a adversidades – na arte, na música, na dança e na cultura, em seu sentido mais amplo. Este ano, na véspera do vigésimo aniversário do Projeto A Rota do Escravo, designei, como um Artista da Paz da UNESCO, Marcus Miller, que terá a missão de promover o Projeto A Rota do Escravo da UNESCO e transmitir mensagem de respeito desse projeto por meio da música. Esse empenho contribuirá para os esforços para a Década dos Povos Afrodescendentes (2013-2022), proclamada pelas Nações Unidas em 2012.
O tráfico de escravos não é apenas algo do passado: é nossa história e tem moldado a face de muitas sociedades modernas, criando laços indissolúveis entre povos e continentes, e transformando, de forma irreversível, o destino, a economia e a cultura das nações. Estudar essa história equivale a homenagear os combatentes pela liberdade e reconhecer suas contribuições singulares para a afirmação dos direitos humanos universais. Eles estabeleceram um exemplo para continuarmos a luta pela liberdade, contra o preconceito racial herdado do passado e contra novas formas de escravidão que subsistem até hoje e afetam em torno de 21 milhões de pessoas.
Hoje, convido todos os governos, as organizações da sociedade civil e os parceiros privados a redobrar seus esforços para transmitir essa história. Que isso seja uma fonte de respeito e um chamamento universal em prol da liberdade para as futuras gerações.
Neste Dia de Comemoração, a UNESCO convida todos os povos a relembrar, refletir sobre as consequências do passado em nosso presente, sobre as novas exigências de viver-se em conjunto em nossas sociedades mutilculturais e sobre a luta contra as formas contemporâneas de escravidão, das quais milhões de seres humanos ainda são vítimas.

Irina Bokova

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Dia 22/08 -Mobilização pede fim do genocídio de jovens negros no Brasil

Um protesto deve mobilizar pelo menos três cidades do Brasil para denunciar o genocídio de jovens negros no Brasil. A Marcha Nacional contra o Genocídio do Povo Negro foi convocada para esta quinta-feira (dia 22 de agosto). O objetivo é denunciar a naturalização da morte de milhares de pessoas anualmente que estão classificada no perfil "pobre, jovem e negro". A mobilização é puxada pela Campanha "Reaja ou será morto, reaja ou será morta". 
Em São Paulo, a Marcha se concentrará em frente ao Theatro Municipal (na Praça Ramos de Azevedo, centro da cidade), a partir das 18h. Já em Salvador acontece no Largo dos Aflitos, 15h, no também no centro da cidade. O principal objetivo, segundo informações divulgadas pela revista Carta Capital, é cobrar "políticas públicas diante dos últimos dados sobre a violência contra a população negra, pobre e periférica brasileira."
Ainda segundo a revista, de 2002 a 2010, o país registrou 418.414 vítimas de violência letal – 65,1% delas (272.422 pessoas) eram negras. Os dados constam no "Mapa da Violência 2012 – A Cor dos Homicídios", primeiro levantamento nacional sobre esse tipo de morte com recorte étnico. No período avaliado, o número de homicídios contra brancos caiu de 20,6 para 15,5 vítimas para cada 100.000 habitantes – queda de 24,8%. Entre os negros, o índice aumentou 5,6%, de 34,1 para 36 mortos para cada 100.000 brasileiros.
Além da alta no número de mortos, há uma tendência crescente da vitimização dos negros no Brasil. Em 2002, morriam proporcionalmente 65,4% mais negros que brancos, enquanto em 2010 essa taxa saltou para 132,3%.
Entre os brasileiros com idade de 15 a 29 anos, a situação piora. Em 2002, o total de jovens negros mortos foi 71,7% maior que o de brancos. Em 2010, a discrepância subiu para 153,9%. Naquele ano, 19.840 jovens afrodescendentes foram mortos ante 6.503 brancos.
Proporcionalmente, são mortos duas vezes e meia mais jovens negros que brancos. 

Leia abaixo a íntegra de reivindicações da Marcha Nacional contra o Genocídio do Povo Negro divulgados pela Campanha Reaja

MARCHA CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO NEGRO
MANIFESTO
No ano de 2005, diante da morte de centenas de jovens negros, organizações comprometidas com a luta contra o racismo e pela vida, marchando pelas ruas de Salvador, se reuniram em frente a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia e, na madrugada do dia 13 de maio, realizaram uma vigília em protesto contra a política de violência e eliminação de jovens negros instituída por meio da ação e/ou omissão do estado, mas que também afetava familiares e amigos desses jovens.

Desde então a Quilombo Xis- Ação Cultural Comunitária impulsionando a Campanha Reaja permanece nas ruas favelas e cadeias, denunciando e combatendo a brutalidade policial e a falência do sistema de justiça criminal perante um estado democrático de direitos, que escolheu como seu principal inimigo a população negra, quando atinge diretamente jovens negros, violentando-os, encarcerando-os e executando-os, estendendo a violência aos seus familiares e amigos.

Apesar destes oito anos de denúncias da Campanha Reaja para os organismos nacionais e internacionais de direitos humanos (ONU- Organização das Nações Unidas, OEA – Organização dos Estados Americanos), os números de mortes violentas por ação ou omissão estatal não tem se modificado. Conforme demonstram os dados do Mapa da Violência publicados no ano de 2013, entre 2004-2007 morreram 169.574 jovens e destes 116.274 eram negros. Enquanto houve uma queda em torno de 20% da taxa de morte dos jovens brancos, a taxa de morte de jovens negros aumentou em torno de 30% naquele mesmo período. As taxas de homicídio no país são mais altas que os países em guerra ou com algum tipo de conflito declarada. Em 2010, a taxa de homicídios de jovens negros no Brasil, foi de 27,4/100.000.  Em 2011  4071 jovens negros morreram no Estado da Bahia. Há um diferencial de + 153.4% da vitimização negra em relação a vitimização branca.

Estes índices apontam que os projetos de segurança pública aplicados em todo o território nacional  como resposta aos números que representam o genocídio do povo negro dizem respeito a medidas arbitrárias e na contramão de todos os postulados  e acordos internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário. A instalação de bases comunitárias de segurança revelam a invasão e ocupação de bairros negros pelas polícias militares (militarização),ofendendo direitos e garantias fundamentais que dizem repeito as liberdades constitucionais. O investimento do estado Brasileiro no complexo industrial carcerário justificado pelo aumento do número de pessoas encarceradas no país, aquece a indústria da violência e enriquece os verdadeiros empresários do crime. A exposição de pessoas suspeitas de cometerem crimes com anuência de autoridades policiais potencializam a criminalização da população negra e a banalização das vidas pelos meios de comunicação não sérios.

As políticas e práticas de segurança pública têm sido implementadas de forma que determinam quem está incluído como cidadão e digno de proteção do Estado. Seguindo esta lógica, os negros não estão. As mulheres negras têm uma localização central neste sistema, como vítimas de uma violência visceral. O papel que as mulheres têm desempenhado como mães, avós, tias, esposas, filhas, irmãs diante da morte e do aprisionamento de homens negros, colocaram as mulheres em um espaço de cuidado e de mantenedoras das suas famílias e suas comunidades e, portanto, e um espaço de vulnerabilidade frente a violência infligida aos homens negros.

As mulheres negras são as primeiras a serem acionadas quando uma filha/filho, irmã/irmão, esposa/esposo ou amiga/amigo é atingida pela violência estatal. São as mulheres que estão nos IMLs procurando e reconhecendo corpos mutilados ou alvejados. São as mulheres negras que aguardam uma notícia que nunca receberão quando do desaparecimento de um ente querido. São as mulheres negras que se dedicam a recuperação das vítimas de violência do Estado, quando este deixa sequelas de projetis de arma de fogo, espancamento e violência psicológica. Essas formas de violência não atacam diretamente seus corpos, mas a violência a qual as pessoas com as quais tem vínculo são submetidas levam inevitavelemtne a destruição da memória, dos corpos e espíritos daqueles que lhes foram tiradas. Essas mulheres negras estão sendo expostas, adoecidas e violadas. O sofrimento feminino negro não é só perpetrado, mas é incentivado pelo Estado.

Assim, nosso manifesto é em primeiro lugar pelo nosso direito de permanecermos vivas e vivos. Sem estarmos vivas não podemos lutar pelos demais direitos. Estamos marchando para que cessem a brutalidade e as violências contra mulheres e homens negros, que tem sido mortos em razão de uma política de estado genocida, que escolhe suas vítimas em razão da marca da ancestralidade que carregamos, qual seja: sermos negros e negras.

Diante disto, honrando nossa história em diáspora e a luta das nossas ancestrais que construíram ao longo de séculos poderosas instituições políticas, culturais, sociais e militares (Zeferina, N’zinga, Dandara, Maria Felipa) para a afirmação de nossa humanidade e contra o modelo de estado que nos sequestra, violenta e vitimiza, exigimos a discussão dos pontos que seguem abaixo:

1.Participação efetiva das organizações negras de movimento social  com força de deliberação na construção de políticas de segurança pública e criminal e penitenciária centrada nos direitos humanos;
2. Retirada de circulação do baralho do crime, instrumento que viola princípios básicos de dignidade humana e expõe o caráter racista da política de segurança pública do Estado da Bahia;
3.Constituição de um grupo de trabalho com efetiva participação social na instituição de Programas de Proteção às Vítimas e  Testemunhas, bem como, Programa de Defensores de Direitos Humanos, com autonomia e pautado nos direitos da pessoa humana;
4.  Atendimento integral à saúde das pessoas vítimas de violência do estado e seus familiares, com sede na Secretaria de Saúde do Estado da Bahia;
5.Discussão de uma política sobre drogas. A respeito do debate sobre as políticas de drogas, entendemos que a chamada “guerra às drogas”, além de representar retrocesso na luta antimanicomial, se constitui como dispositivo de controle social, criminalização e extermínio de pobres e negros. As ações de recolhimento e internação compulsória de crianças e adolescentes, assim como da população adulta em situação de rua, fazem parte do processo de higienização e elitização das cidades, sobretudo nos períodos que antecedem grandes eventos esportivos;
6. Discussão da descriminalização do uso de drogas. Uma vez que  “guerra às drogas” tem sido utilizada como justificativa para políticas de controle e extermínio, apontamos a necessidade de descriminalização e legalização das drogas, acompanhadas do fortalecimento de políticas de saúde pública e de conscientização sobre seu uso. Afirmamos estes como passos fundamentais para a superação do quadro de violações trazido pelo proibicionismo;
7. Sobre a “defesa social”.  É necessário conter o avanço punitivo do Estado que fortalece o controle das populações através da ampliação das categorias consideradas inimigas e que legitima práticas de repressão violenta a partir do discurso de garantia da ordem e da defesa da sociedade. Esse poder punitivo violador, cuja mais grave representação localizamos na atuação policial, opera-se também em perversas práticas do Poder Judiciário e do Ministério Público. Um dos efeitos mais drásticos do controle penal verifica-se no encarceramento em massa, tendo o Brasil hoje a quarta maior população carcerária do mundo;
8. Pelo fim da revista vexatória que além de estender a pena aso familiares e amigos de presas e presos, humilha e expões mulheres negras em sua maioria, quando da entrada em unidades prisionais, cuja prática é justificada pela entrada de armas de alto calibre e grandes quantidades de drogas em genitálias de mulheres, homens e crianças;
9. Pela não privatização de prisões e unidades e serviços de saúde, bem como recursos humanos capacitados e qualificados;

10. Desmilitarização da polícia. Com relação às políticas de segurança pública o debate sobre a desmilitarização é prioritário e urgente. A lógica militar impõe a perspectiva da guerra e do confronto bélico na qual há um território a ser ocupado e um inimigo a ser combatido. Os territórios em questão são favelas e periferias e o inimigo, as classes populares. A gestão militar da segurança pública afirma-se nas históricas operações e invasões policiais justificadas pela “guerra às drogas” com Rangers e Pick-ups compradas com o dinheiro do Programa Nacional de Segurança Cidadã, o PRONASCI e outros aparatos de guerra – como na diversas  chacinas e execuções, que deixam para trás centenas  de mortos. Além disto, permite a expansão de grupos de extermínio nas regiões periféricas da cidade, configurando um controle “paramilitar” dessas áreas, o que gera formas específicas de privação de direitos, assim como a implementação das Unidades de Polícia Pacificadora(UPPs), batizadas na Bahia como Bases de Segurança Pública que só levam o controle bélico, não havendo a implementação de serviços como saúde, educação, coleta de lixo, cultura e lazer, como prometido pelas autoridades.).
*Documento enviado por José Raimundo (Thembi Sekou Okwui)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

GRIOT: 7ª PRIMAVERA DOS MUSEUS - MUSEUS, MEMÓRIA E CULTUR...

O GRIOT, com a Profª Marcia Fonseca, estará presente em Cabo Frio no Museu do Convento, dia 24 de setembro às 15h... Preparem-se!

terça-feira, 23 de julho de 2013

Em Jundiaí, dias 26 e 27 dejulho, lançamento da Campanha "Eu Pareço Suspeito?"

#‎EUPAREÇOSUSPEITO‬? - I AM TRAYVON MARTIN TEASER SPOTS 2013
Lançamento da Campanha Eu Pareço Suspeito? Edição Jundiaí
A campanha "Eu Pareço Suspeito?" surgiu da necessidade de contribuir com a luta antirracista no país e fomentar a conscientização da juventude negra e periférica sobre a importância do combate às diversas formas de racismo, tendo como foco principal o desmascaramento de estereótipos negativos relacionados aos jovens negros e pobres.
A campanha divulgara peças publicitárias sob o tema "Eu Pareço Suspeito?", com a participação de lideranças da militância política e do mundo artística com a finalidade de chamar atenção da sociedade brasileira para a violência que mata cada vez jovens negros. A Campanha é um instrumento de ação e combate ao racismo institucional. Pois, sabe-se que a violência racial agrava-se em situações de experiências de abordagem policial no qual a vitima é vista como "suspeito em potencial" por ser negro e pobre.

Descrição Assistam ao Teaser dos Spots da Campanha #EUPAREÇOSUSPEITO?
 
A campanha fomentara 30 Spots audio-visual que circulara nas redes da internet e em espaços de cultura e educação das periferias de todo o Brasil.
e-mail: wapibrasil@hotmail.com

Onde: Na Conferencia Regional de Promoção da Igualdade Racial
Democracia e desenvolvimento sem Racismo: Por uma Regional Afirmativa.

FAÇA JÁ SUA INSCRIÇÃO
Clique aqui http://www2.jundiai.sp.gov.br/promocao-igualdade-racial/

Evento no facebooK: http://www.facebook.com/events/572983322764133/ 

Quando: 26 e 27 de Julho de 2013
Local: auditório Elis Regina – AV. Dr. Cavalcanti, 396.
Complexo Argos - Vila Arens -Jundiaí/SP
Para mais informações, o telefone é (11) 4588-5300

terça-feira, 2 de julho de 2013

PEC 99/11 propõe teocracia e elimina estado laico

Fundamentalistas evangélicos comemoram aprovação da PEC 99/11, proposta pela FPE, do mesmo autor da Pec da Cura Gay. O interessante é que muitos fiéis de cultos afrobrasileiros ainda defendem alguns candidatos fundamentalistas que, em suas costas se unem para atacá-los no futuro! Acorda povo de santo!

Lamentavelmente, o jogo político do poder, o tal do "toma lá da cá", nos prega mais uma peça e ameaça a laicidade do Estado Brasileiro: a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou em 27/03/2013, a PEC 99/11, que confere às organizaçoes religiosas poderes para declarar "Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIN)" e "Ações Declaratórias de Inconstitucionalidade (ADECON)" contra leis e decisões judiciais, inclusive junto ao STF, quando acharem que contrariam os interesses das organizações religiosas. Com isso, se aprovada e sancionada sem cortes, a PEC não só confere maior poder aos religiosos, mas fere de morte a laicidade do Estado e incentiva a criação de um Estado Teocrático, que é, afinal, o que os fundamentalistas evangélicos, principalmente.
Como se não bastasse a nomeação do pastor-deputado Marco Feliciano para a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias; e a concessão de passaportes diplomáticos para Edir Macedo, R.R, Soares, pastor Samuel Cássio Ferreira e Valdemiro Santiago, todos com suas respectivas esposas; além das seções de culto gospel, dentro da Câmara e do Senado; a proposta de construção do Parque Gospel (Acre) com o dinheiro público e o projeto do Deputado Jair Bolsonaro, para a obrigatoriedade de um crucifixo nas paredes das casas legislativas e de bíblias nas mesas diretoras da Câmara; além do projeto "Papai do Céu na Escola", do deputado-pastor Marco Feliciano;as obstruções ao PCL/22, agora mais esta articulação sorrateira da bancada evangélica que quer tomar o poder no país de forma fundamentalista. Todas essas propostas esdrúxulas são defendidas pela "Bancada Evangélica", à qual pertencem 78 deputados e 3 senadores, a 4ª maior bancada do Congresso.

Mas em que se constitui o PL 99/11?

Na prática, esse projeto, proposto em 2011, poderia ser resumido na sua ementa: "Acrescenta ao artigo 103, da Constituição Federal, o inciso X, que dispõe sobre a capacidade postulatória das associações religiosas para propor ações de inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade de leis ou atos normativos, perante a Constituição Federal". Com isso, não só a CNBB, mas também as CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil), o "Superior Concílio das Igrejas Presbiterianas do Brasil", a "Convenção Batista Nacional" ou qualquer outro grupo de igrejas organizadas, poderiam questionar leis contrárias aos seus interesses (que privilégio!). Assim, questões como legalização do aborto, da união homoafetiva ou qualquer outra que não passasse no crivo das igrejas, também dificilmente passaria no Congresso. Em contrapartida, questões que resguardassem direitos de ateus e minorias poderiam ser prejudicadas. Vejam o que diz o caput do artigo 103 da nossa CF:
"Art 103. Podem propor a ação direta de inconstitucionalidade e a ação declaratória de constitucionalidade:" (seguem-se nove tipos de instituições contempladas).
Eles querem ser a décima. É o retrocesso.

Quem é a "Bancada Evangélica" 
e João Campos, o autor do projeto?
Sobre essa figurinha carimbada, é nada mais, nada menos do que o presidente da Frente Parlamentar Evangélica (FPE), integrante da famosa "Bancada Evangélica", com grande poder de fogo, por ser a 4ª maior bancada, dentre as 17 bancadas suprapartidárias existentes no Congresso Nacional. Estão lá para fazer patrulhamento contra toda e qualquer lei que contrarie os "princípios religiosos" por eles defendidos. E normalmente conseguem, por meio da obstrução e/ou barganha de votos, já que fazem parte da base aliada do governo. Será que expurgar essa turma da política não melhoraria um pouquinho mais as coisas? Pesquisa do site "Transparênncia Brasil" revela que esta é a pior bancada do Congresso e também a mais ausente, inexpressiva e processada. Quase todos os seus deputados respondem a processos e 87% deles estão entre os mais inexpressivos do DIAP e só apresentaram um projeto de valor de expressão, com benefícios para o país. Por que se julgam tão especiais e gozam de tantos privilégios? Será pelo temor de enfrentá-los, em função do grande número de votos de eleitores que representam? Provavelmente sim.
O que se pode fazer?
A questão já foi colocada. Cabe agora à nação, agir. E só existem dois meios: a lei (???) e o protesto. Pela lei, e arguindo-se o direito de igualdade, poder-se-ia argumentar que o privilégio é incabível porque favorece uma categoria especial de pessoas, em detrimento de outras. Por analogia e direito de igualdade, as associações que representam gays, os afrodescendentes, os ateus e agnósticos, por exemplo, deveriam ter os mesmos privilégios legais, já que a situação é a mesma: são segmentos da sociedade organizados em forma de associações. Vale ressaltar, que estes sim, são minorias discriminadas; os religiosos, não. Pelo contrário, eles são maiorias. Que país bagunçado é este, sem critérios, sem justiça, sem direito de igualdade? Se o país é laico, por que os irreligiosos não têm os mesmos direitos e não gozam de qualquer proteção legal?
Quanto ao protesto, além de representações legais e manifestações populares de repúdio, poderíamos iniciar, por exemplo, assinando uma petição pública formulada pela Liga Humanista Secular e que se encontra disponível no site Change. Org. Os que desejarem assinar (e recomendamos), devem clicar aqui.
É isso. O resto é com vocês.