domingo, 15 de setembro de 2013
GRIOT: XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês dos ERES! - Notícias...
GRIOT: XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês dos ERES! - Notícias...:
XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês dos ERES! - Notícias e imagens
XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês dos ERES! - Notícias e imagens
Apesar do vento foi um lindo por do sol, uma linda noite, com visita de amigos de Araruama, Barra de São João, Rio das Ostras, São Pedro, Cabo Frio. Além da ilustre presença do Mestre Chonca (pesca artesanal) e sua esposa Nancy. Logo nos primeiros minutos de roda recebemos vistas de transeuntes, entre eles cachorro, crianças e mais crianças, e um senhor, que da mesma forma que chegou, foi embora... Coisas mágicas acontecem na roda de Jongo!
O XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês das crianças - Vivência/Roda de cultura popular do GRIOT, foi realizado no ultimo sábado, dia 14/09 às 17:30 em Arraial do Cabo/RJ. A concentração foi no MIRANTE TI MIRO (Deck da praia Grande), Praia Grande.
O XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês das crianças - Vivência/Roda de cultura popular do GRIOT, foi realizado no ultimo sábado, dia 14/09 às 17:30 em Arraial do Cabo/RJ. A concentração foi no MIRANTE TI MIRO (Deck da praia Grande), Praia Grande.
Mais informações e imagens, acesse aqui!
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
"Erramos. A população ficou contra a gente", dizem médicos.
Mesmo alguns médicos admitirem os erros, nenhum dos CRMs (Conselhos Regionais de Medicina) veio a público se desculpar ou se contrapor às vergonhosas manifestações racistas contra os médicos cubanos, sem levarem em conta que a maioria da população é afrodescendente e deixando claro o elistismo e o racismo da categoria.
Nas periferias urbanas, a população é tratada como clientela, muitas são as notícias diariamente sobre este tratamento, claro que ficam contra os médicos brasileiros mesmo. Individualmente, alguns médicos numa atitude de tentar salvaguardar a imagem destes profissionais, vieram à redes sociais manifestar apoio aos médicos cubanos. No entanto, os Conselhos ainda não deram nota oficial a respeito. Partidarismo contra o Mais Médicos? O que ficou evidente foi o Racismo até para quem acreditava na tão propalada "democracia racial".
"Erramos. Não soubemos fazer o diagnóstico da situação. A população ficou contra a gente".
Ouvi a frase acima de um médico após debate sobre mercado de trabalho médico, promovido na noite de ontem pelo núcleo da GVSaúde, da Fundação Getúlio Vargas.
Antes disso, outros médicos, inclusive um dos palestrantes, Miguel Srougi, professor titular de urologia da USP, já havia manifestado sua insatisfação sobre a maneira como as entidades médicas conduziram o debate sobre o programa Mais Médicos até agora.
Ele lembrou que foi perdido tempo demais na defesa de que o país não precisava de mais médicos ou de mais escolas médicas, quando agora existe uma unanimidade de que não só o Brasil como o resto do mundo vive uma escassez de médicos.
Outros médicos avaliaram como "um grande equívoco" os protestos contra os cubanos, considerada a cereja do bolo da antipatia médica perante a população.
Em debate na USP na semana passada, Paulo Saldiva, professor de patologia da USP, resumiu a insatisfação numa frase. "Tive vergonha da minha categoria", comentou, quando se referiu às vaias recebidas pelos cubanos ao chegarem ao Brasil.
Drauzio Varella, na sua coluna do último sábado, também já tinha ido na mesma linha: "O que ganhamos com essas reações equivocadas? A antipatia da população e a acusação de defendermos interesses corporativistas."
Embora essa não seja a opinião oficial das entidades de classe que os representam, esses médicos estão certos em relação a que lado a população está agora. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada ontem, apontou que 73,9% dos brasileiros se declararam favoráveis à importação dos profissionais formados no exterior. Em julho, esse percentual era de 49,7%.
O número de entrevistados que disse ser contra o programa caiu de 47,4% em julho para 23,8% em setembro.
Talvez os médicos tirem uma lição disso tudo: a necessidade de se colocarem na pele de quem vive nos rincões sem assistência médica. Essa população não quer saber se a União está se esquivando de investir os 10% em saúde ou de que os estrangeiros teriam que passar por exames de revalidação do diploma antes de começarem a atuar no país. Ela só quer um médico por perto.
Essa resposta imediata as entidades médicas não deram. O governo federal, com mais erros do que acertos, deu.
Que a medida do governo Dilma é eleitoreira, tomada às pressas como resposta às manifestações das ruas, ninguém duvida disso. Tampouco há dúvidas sobre a insustentabilidade do programa a médio e longo prazo.
Sem mais recursos para a saúde, sem uma gestão eficiente do SUS, sem equipes multidisciplinares e sem um plano consistente para reter os médicos em regiões longínquas, há pouquíssimas chances de alguma coisa dar certo. Outros países como Canadá e Inglaterra já fizeram essa lição e deveríamos ter aprendido alguma coisa com eles.
Mas o ministro Alexandre Padilha, apontado pelo ex-presidente Lula como candidato ao governo de São Paulo nas eleições do próximo ano, não se lembra disso quando busca nesses países álibis para justificar a importação de médicos. E já colhe os frutos da iniciativa, com o aumento da aprovação popular. E agora, doutores?
Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros "Quero ser mãe" e "Por que a gravidez não vem?" e coautora de "Experimentos e Experimentações". Escreve às quartas, no site.
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Ago, ago... Convidando para XIV TAMBORES DOS ANJOS no mês dos ERES!!!!
Vivência/Roda de cultura popular do GRIOT. Venha e traga a criançada pra "brincar"!
O evento acontece no próximo sábado dia 14/09 às 17:30 em Arraial do Cabo/RJ. Nos concentraremos no MIRANTE TI MIRO (Deck da praia Grande), Praia Grande.
Reza quem é de rezar
'Brinca' aquele que é de 'brincadeira'
Quem é de paz pode se aproximar
Que hoje é festa pra uma noite inteira...
ABORDAGENS:
. Aspectos Históricos Sociais;
. Estudos e fundamentos nas tradições do JONGO, CIRANDA PRAIEIRA, COCO de umbigada, MARACATU e outros batuques.
ATENÇÃO:
O JONGO é o principal campo de vivência, apesar disso nossos encontros mensais terão um TEMA. Esse mês é o mês da criança e vivenciaremos vários ritmos afro populares.
Cultura afro brasileira... Pesquisa... Fundamento... tradições... Comunidades de terreiro... Memórias... Cultura popular... Saravá... Comunidades Quilombolas... Jongo... Caxambu... Roda... Cortejo... Profano... "Urbanóides"... Cumbas... Sagrado... Trupé... Viração... Angoma... Maracatu... Amigos de Fé...
Cangoma tá chamando...
SALVE A POVARIA, PODE CHEGAR! SALVE AS CRIANCINHAS!
O evento acontece no próximo sábado dia 14/09 às 17:30 em Arraial do Cabo/RJ. Nos concentraremos no MIRANTE TI MIRO (Deck da praia Grande), Praia Grande.
Reza quem é de rezar
'Brinca' aquele que é de 'brincadeira'
Quem é de paz pode se aproximar
Que hoje é festa pra uma noite inteira...
ABORDAGENS:
. Aspectos Históricos Sociais;
. Estudos e fundamentos nas tradições do JONGO, CIRANDA PRAIEIRA, COCO de umbigada, MARACATU e outros batuques.
ATENÇÃO:
O JONGO é o principal campo de vivência, apesar disso nossos encontros mensais terão um TEMA. Esse mês é o mês da criança e vivenciaremos vários ritmos afro populares.
Cultura afro brasileira... Pesquisa... Fundamento... tradições... Comunidades de terreiro... Memórias... Cultura popular... Saravá... Comunidades Quilombolas... Jongo... Caxambu... Roda... Cortejo... Profano... "Urbanóides"... Cumbas... Sagrado... Trupé... Viração... Angoma... Maracatu... Amigos de Fé...
Cangoma tá chamando...
SALVE A POVARIA, PODE CHEGAR! SALVE AS CRIANCINHAS!
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Ouvidoria da SEPPIR pede apuração e providência à Polícia Federal para caso de racismo com médicos de Cuba
A Ouvidoria da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
da Presidência da República (SEPPIR/PR) solicitou formalmente à
Diretoria Geral da Polícia Federal, em Brasília, que fizesse o devido
levantamento acerca dos fatos envolvendo a pessoa de Micheline Borges,
identificada na rede social Facebook como sendo jornalista, natural do
Rio Grande do Norte, que publicou declaração dizendo que “as médicas
cubanas têm cara de empregada doméstica”.
Por ter causado constrangimento e ofendido cidadãs e cidadãos de todo o país, além de ter sido alvo de muitas críticas e de denúncias feitas à própria Ouvidoria, anexadas ao ofício, o ouvidor da SEPPIR, Carlos Alberto Junior, solicitou ainda que a PF tome as providências necessárias e que as comunique à Ouvidoria. A solicitação de apuração do fato também foi encaminhada para o Ministério Público Federal.
A agressão na rede social foi um dos diversos episódios de preconceito contra os 400 profissionais cubanos recém-chegados ao Brasil para participar do programa Mais Médicos. Na opinião do ouvidor da SEPPIR, “trata-se de caso de racismo explícito contra a população negra cubana e, neste caso específico da ‘jornalista’, contra toda a população negra brasileira”.
“Como se não houvesse absurdo bastante, tentam desqualificar as médicas cubanas comparando-as a empregadas domésticas – profissão eminentemente de população negra no Brasil e também afrontada na declaração. É necessário ressaltar que não há demérito em ser empregada doméstica. Porém, a comparação deixa explícita a intenção de desqualificar e menosprezar a categoria profissional que chega ao país para atender 11 milhões de brasileiros em 700 municípios ”, explica Carlos Alberto Junior.
A Ouvidoria Nacional tem o condão de encaminhar as manifestações e denúncias da população. Foram colhidas manifestações nas redes sociais e encaminhadas para o Departamento da Polícia Federal que tem a prerrogativa de apuração de responsabilidade dos autores do crime, bem como da retirada da postagem racista e discriminatória do canal onde foi veiculado.
“Entendo que a jornalista agiu de forma racista e o crime está previsto no artigo 20 da Lei nº. 7716/89: ‘Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional’, tendo uma pena de 01 a 03 anos e multa”, acrescenta.
Além de encaminhar as denúncias contra a suposta jornalista, a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial já iniciou um diálogo com a Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde (SUS) para viabilizar uma campanha de conscientização e informação de toda rede SUS, por meio da sua Central e dos Ouvidores e Ouvidoras do SUS nos estados e municípios.
“É necessário lembrar que racismo é crime e frisar que os estrangeiros têm os mesmos direitos dos brasileiros e não podem ser vítimas deste crime no Brasil”, instrui o ouvidor. Em caso de agressão deste tipo, o estrangeiro deve procurar a autoridade policial mais próxima e solicitar que faça cessar a ação criminosa, caso ainda esteja ocorrendo; em caso de flagrante, o autor do crime de racismo deve ser preso; a vítima deve permanecer no local do fato e identifique possíveis testemunhas.
É importante registrar a ocorrência. Se o crime já aconteceu e não foi possível acionar a autoridade policial, assim que puder, a pessoa ofendida deve procurar a Delegacia de Polícia Civil mais próxima de onde ocorreu o fato para denunciá-lo.
Por ter causado constrangimento e ofendido cidadãs e cidadãos de todo o país, além de ter sido alvo de muitas críticas e de denúncias feitas à própria Ouvidoria, anexadas ao ofício, o ouvidor da SEPPIR, Carlos Alberto Junior, solicitou ainda que a PF tome as providências necessárias e que as comunique à Ouvidoria. A solicitação de apuração do fato também foi encaminhada para o Ministério Público Federal.
A agressão na rede social foi um dos diversos episódios de preconceito contra os 400 profissionais cubanos recém-chegados ao Brasil para participar do programa Mais Médicos. Na opinião do ouvidor da SEPPIR, “trata-se de caso de racismo explícito contra a população negra cubana e, neste caso específico da ‘jornalista’, contra toda a população negra brasileira”.
“Como se não houvesse absurdo bastante, tentam desqualificar as médicas cubanas comparando-as a empregadas domésticas – profissão eminentemente de população negra no Brasil e também afrontada na declaração. É necessário ressaltar que não há demérito em ser empregada doméstica. Porém, a comparação deixa explícita a intenção de desqualificar e menosprezar a categoria profissional que chega ao país para atender 11 milhões de brasileiros em 700 municípios ”, explica Carlos Alberto Junior.
A Ouvidoria Nacional tem o condão de encaminhar as manifestações e denúncias da população. Foram colhidas manifestações nas redes sociais e encaminhadas para o Departamento da Polícia Federal que tem a prerrogativa de apuração de responsabilidade dos autores do crime, bem como da retirada da postagem racista e discriminatória do canal onde foi veiculado.
“Entendo que a jornalista agiu de forma racista e o crime está previsto no artigo 20 da Lei nº. 7716/89: ‘Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional’, tendo uma pena de 01 a 03 anos e multa”, acrescenta.
Além de encaminhar as denúncias contra a suposta jornalista, a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial já iniciou um diálogo com a Ouvidoria Geral do Sistema Único de Saúde (SUS) para viabilizar uma campanha de conscientização e informação de toda rede SUS, por meio da sua Central e dos Ouvidores e Ouvidoras do SUS nos estados e municípios.
“É necessário lembrar que racismo é crime e frisar que os estrangeiros têm os mesmos direitos dos brasileiros e não podem ser vítimas deste crime no Brasil”, instrui o ouvidor. Em caso de agressão deste tipo, o estrangeiro deve procurar a autoridade policial mais próxima e solicitar que faça cessar a ação criminosa, caso ainda esteja ocorrendo; em caso de flagrante, o autor do crime de racismo deve ser preso; a vítima deve permanecer no local do fato e identifique possíveis testemunhas.
É importante registrar a ocorrência. Se o crime já aconteceu e não foi possível acionar a autoridade policial, assim que puder, a pessoa ofendida deve procurar a Delegacia de Polícia Civil mais próxima de onde ocorreu o fato para denunciá-lo.
Sistema de saúde cubano é elogiado por médicos dos EUA
Um Modelo Diferente – Atenção Médica em Cuba
The New England Journal of Medicine, January 24, 2013.
PCB
Para um visitante dos Estados Unidos, Cuba desorienta. Automóveis norte-americanos estão em todo lugar, mas todos datam dos anos 50. Nossos cartões bancários, cartões de crédito e telefones inteligentes não funcionam. O acesso à internet é praticamente inexistente. E o sistema de saúde também parece irreal. Há médicos demais.
Todo mundo tem um médico da família. Tudo é de graça, totalmente de graça — e não precisa de aprovação prévia ou de algum tipo de pagamento. Todo o sistema parece de cabeça para baixo. É tudo muito organizado e a prioridade absoluta é a prevenção. Embora Cuba tenha recursos econômicos limitados, seu sistema de saúde resolveu alguns problemas que o nosso [dos Estados Unidos] ainda nem enfrentou.
Médicos de família, junto com enfermeiras e outros profissionais de saúde, são os responsáveis por dar atendimento primário e serviços preventivos para seu grupo de pacientes — cerca de mil pacientes por médico em áreas urbanas.
Todo o cuidado é organizado no plano local e os pacientes e seus profissionais de saúde geralmente vivem na mesma comunidade. Os dados médicos em fichas de papel são simples e escritos à mão, parecidos com os que eram usados nos Estados Unidos 50 anos atrás. Mas o sistema é surpreendentemente rico em informação e focado na saúde da população.
Todos os pacientes são categorizados de acordo com o nível de risco de saúde, de I a IV. Fumantes, por exemplo, estão na categoria de risco II, e pacientes com doença pulmonar crônica, mas estável, ficam na categoria III.
As clínicas comunitárias informam regularmente ao distrito sobre quantos pacientes tem em cada categoria de risco e sobre o número de pacientes com doenças como a hipertensão (bem controlada ou não), diabetes, asma, assim como sobre o status de imunização, data do último teste de Papanicolau e casos de gravidez/cuidado pré-natal.
Todo paciente é visitado em casa uma vez por ano e aqueles com doenças crônicas recebem visitas mais frequentes. Quando necessário, os pacientes podem ser direcionados a policlínicas distritais para avaliação de especialistas, mas eles retornam para as equipes comunitárias para acompanhamento. Por exemplo, a equipe local é responsável por garantir que o paciente com tuberculose siga as recomendações sobre o regime antimicrobial e que faça os exames.
Visitas em casa e conversas com familiares são táticas comuns para fazer com que os pacientes sigam as recomendações médicas, não abandonem o tratamento e mesmo para evitar gravidez indesejada. Numa tentativa de evitar infecções como a dengue, a equipe de saúde local visita as casas para fazer inspeções e ensinar as pessoas sobre como se livrar da água parada.
Este sistema altamente estruturado, orientado para a prevenção, produziu resultados positivos. As taxas de vacinação de Cuba estão entre as mais altas do mundo.
A expectativa de vida de 78 anos de idade é virtualmente idêntica à dos Estados Unidos. A taxa de mortalidade infantil em Cuba caiu de 80 por mil nos anos 50 para menos de 5 por mil — menor que nos Estados Unidos, embora a taxa de mortalidade materna esteja bem acima daquela dos países desenvolvidos e na média para os países do Caribe.
Sem dúvida, os resultados são consequência de melhorias em nutrição e educação, determinantes sociais básicos para a saúde pública. A taxa de alfabetização de Cuba é de 99% e o ensino sobre saúde é parte do currículo obrigatório das escolas. Um recente programa nacional para promover a aceitação de homens que fazem sexo com homens foi desenhado para reduzir as taxas de doenças sexualmente transmissíveis e aumentar a aceitação e adesão aos tratamentos.
Os cigarros já não são oferecidos na cesta básica mensal e o número de fumantes decresceu, embora as equipes médicas locais digam que continua difícil convencer fumantes a deixar o vício. Os contraceptivos são gratuitos e fortemente encorajados. O aborto é legal, mas considerado um fracasso do trabalho de prevenção.
Não se deve romantizar o sistema de saúde cubano. O sistema não é desenhado para escolha do consumidor ou iniciativas individuais. Não existe sistema de saúde privado pago como alternativa. Os médicos recebem benefícios do governo como moradia e alimentação, mas o salário é de apenas 20 dólares por mês. A educação é gratuita e eles são respeitados, mas é improvável que obtenham riqueza pessoal.
Cuba é um país em que 80% dos cidadãos trabalham para o governo e o governo é quem gerencia orçamentos. Nas clínicas de saúde comunitárias, placas informam aos pacientes quanto o sistema custa ao Estado, mas não há forças de mercado para promover eficiência.
Os recursos são limitados, como descobrimos ao ter contato com médicos e profissionais de saúde cubanos como parte de um grupo de editores-visitantes dos Estados Unidos. Um nefrologista de Cienfuegos, a 240 quilômetros de Havana, tem uma lista de 77 pacientes em diálise na província, o que em termos de população dá 40% da taxa dos Estados Unidos — similar ao que era nos Estados Unidos em 1985.
Um neurologista nos informou que seu hospital só recebeu um CT scanner doze anos atrás. Estudantes norte-americanos de universidades médicas cubanas dizem que o trabalho nas salas de cirurgia é rápido e eficiente, mas com pouca tecnologia. Acesso à informação via internet é mínimo. Um estudante informou que tem 30 minutos por semana de acesso discado.
Esta limitação, como muitas outras dificuldades de recursos que afetam o progresso, é atribuída ao embargo econômico dos Estados Unidos [imposto em 1960], mas podem existir outras forças no governo central trabalhando contra a comunicação fácil e rápida entre cubanos e os Estados Unidos.
Como resultado do estrito embargo econômico, Cuba desenvolveu sua própria indústria farmacêutica e agora fabrica a maior parte das drogas de sua farmacopeia básica, mas também alimenta uma indústria de exportação. Recursos foram investidos no desenvolvimento de expertise em biotecnologia, em busca de tornar Cuba competitiva no setor com os países avançados.
Existem jornais médicos acadêmicos em todas as especialidades e a liderança médica encoraja fortemente a pesquisa, a publicação e o fortalecimento de relações com outros países latino-americanos. As universidades médicas de Cuba, agora 22, continuam focadas em atendimento primário, com medicina familiar exigida como primeira residência de todos os formandos, embora Cuba já tenha hoje o dobro dos médicos per capita que os Estados Unidos.
Muitos dos médicos cubanos trabalham fora do país, como voluntários num programa de dois anos ou mais, pelo qual recebem compensação especial. Em 2008, havia 37 mil profissionais de saúde cubanos trabalhando em 70 paises do mundo. A maioria trabalha em áreas carentes, como parte da ajuda externa de Cuba, mas alguns estão em áreas mais desenvolvidas e seu trabalho traz benefício financeiro para o governo cubano (por exemplo, subsídios de petróleo da Venezuela).
Todo visitante pode ver que Cuba continua distante de ser um país desenvolvido em infraestrutura básica, como estradas, moradias e saneamento. Ainda assim, os cubanos começam a enfrentar os mesmos problemas de saúde de países desenvolvidos, com taxas crescentes de doenças coronárias, obesidade e uma população que envelhece (11,7% dos cubanos tem 65 anos de idade ou mais).
O seu incomum sistema de saúde enfrenta estes problemas com estratégias que evoluíram da peculiar história política e econômica de Cuba, um sistema que — com médicos para todos, foco em prevenção e atenção à saúde comunitária — pode informar progresso também para outros países.
Porque os médicos cubanos não são escravos
Especialista em estudos cubanos, o jornalista Hélio Doyle explica por que a remuneração dos profissionais de saúde de Cuba é paga diretamente ao governo de Raúl Castro
Zambukaki
UM POUCO MAIS SOBRE OS MÉDICOS CUBANOS
Parece
que o último argumento contra a contratação dos médicos cubanos é a
remuneração que vão receber. Pois é ridículo, quando prevalecem fatos,
indicadores internacionais e números, falar mal do sistema de saúde e da
qualidade dos médicos de Cuba. A revalidação dediploma também não é
argumento, pois os médicos estrangeiros trabalharão em atividades
definidas e por tempo determinado, nos termos do programa do governo
federal. Não tem o menor sentido, também, dizer que os cubanos não se
entenderão com os brasileiros por causa da língua – primeiro, porque
vários deles falam o português e o portunhol, segundo porque os médicos
cubanos estão acostumados a trabalhar em países em que a lingua falada é
o inglês, o francês, o português e dialetos africanos, e nunca isso foi
entrave.
Resta, assim, a forma de
contratação e, mais uma vez sem medo do ridículo, falam até de trabalho
escravo. Essa restrição também não tem procedência, nem por argumentos
morais ou éticos (e em boa parte hipócritas), nem com base na legislação
brasileira e internacional. Vamos a duas situações hipotéticas, embora
ocorram rotineiramente.~
Imagem Ilustrativa
1 –
Uma empreiteira brasileira é contratada por um governo de país europeu
para uma obra. Essa empreiteira vai receber euros por esse trabalho e
levar àquele país, por tempo determinado, alguns engenheiros, geólogos,
operários especializados e funcionários administrativos, todos eles
empregados na empreiteira no Brasil. Encerrado o contrato no país
europeu, todos voltarão ao Brasil com seus empregos assegurados. Quem
vai definir a remuneração desses empregados da empreiteira e pagá-los,
ela ou o governo do país europeu? É óbvio que é a empreiteira.
2 – Os
governos do Brasil e de um país africano assinam um acordo para que uma
empresa estatal brasileira envie profissionais de seu quadro àquele
país para dar assistência técnica a pequenos agricultores. O governo
brasileiro será remunerado em dólares pelo governo africano. A estatal
brasileira designará alguns de seus funcionários para residir e
trabalhar temporariamente no país africano. Quem vai definir a
remuneração dos servidores da empresa estatal brasileira e lhes fará o
pagamento, a estatal brasileira ou o governo do país africano? É óbvio
que é a empresa estatal brasileira.
Por
que, então, tem de ser diferente com os médicos cubanos? Eles não estão
vindo para o Brasil como pessoas físicas, nem estão desempregados. São
servidores públicos do governo de Cuba, trabalham para o Estado e por
ele são remunerados. Quando termina a missão no Brasil (ou em qualquer
outros dos mais de 60 países em que trabalham), voltam para Cuba e para
seus empregos públicos.
Não teria o menor
sentido, assim, que esses médicos, formados em Cuba e servidores
públicos cubanos, fossem cedidos pelo governo de Cuba para trabalhar no
Brasil como se fossem pessoas físicas sendo contratadas. Para isso, eles
teriam de deixar seus postos no governo de Cuba. Como não faria sentido
que os empregados da empreiteira contratada na Europa ou da estatal
contratada na África assinassem contratos e fossem remunerados
diretamente pelos governos desses países. Trata-se de uma prestação de
serviços por parte de Cuba, feita, como é natural, por profissionais dos
quadros de saúde daquele país.
A outra
crítica é quanto à remuneração dos médicos cubanos. Embora menor do que a
que receberão os brasileiros e estrangeiros contratados como pessoas
físicas, está dentro dos padrões de Cuba e não discrepa substancialmente
do que recebem seus colegas que trabalham no arquipélago. É mais, mas
não muito mais. Não tem o menor sentido, na realidade cubana, que um
médico de seus serviços de saúde, trabalhando em outro país, receba R$
10 mil mensais. E, embora os críticos não aceitem, há em Cuba uma clara
aceitação, pela população, de que os recursos obtidos pela exportação de
bens e serviços (entre os quais o turismo e os serviços de educação e
saúde) sejam revertidos a todos, e não a uma minoria. O que Cuba ganha
com suas exportações de bens e serviços, depois de pagar aos
trabalhadores envolvidos, não vai para pessoas físicas, vai para o
Estado.
Programa Mais Médicos foi uma iniciativa do ministro da Saúde José Padilha (Foto: Agência Brasil)
A
possibilidade de ganhar bem mais é que faz com que alguns médicos
cubanos prefiram deixar Cuba e trabalhar em outros países como pessoas
físicas. É normal que isso aconteça, em Cuba ou em qualquer país (não
estamos recebendo portugueses e espanhóis?) e em qualquer atividade
(quantos latino-americanos buscam emigrar para países mais
desenvolvidos?). Como é normal que muitos dos médicos cubanos aprovem o
sistema socialista em que vivem e se disponham a cumprir as “missões
internacionalistas” em qualquer parte do mundo, independentemente de
qual é o salário. Para eles, a medicina se caracteriza pelo humanismo e
pela solidariedade, e não pelo lucro.
É
difícil entender isso pelos que aceitam passivamente, aprovam ou se
beneficiam da privatização e da mercantilização da medicina e da
assistência à saúde no Brasil.
brasil247.com 26 Agosto de 2013 - 07:19
Fonte Tribuna Hoje
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