quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Instituto África Vivia inicia Programa de Atividades "Viva a África!!!"

É um programa com uma série de cursos e capacitações,
A realização é na Rua Luis Góis, 1724  - Vila Mariana - São Paulo/SP :


Curso de Percussão Africana - Djembês e Dununs (iniciante e intermediário)
Curso de Biomúsica Sem Fronteiras - Desenvolvimento Humano

Vivências de Biomúsica - Qualidade de Vida
Círculo de Tambores - Integração
Construção de instrumentos - Capacitação

Dias disponíveis Quartas e Sextas !!!

Maiores informações e inscrições:

institutoafricaviva@gmail.com
tel 11 996-711-477

domingo, 2 de setembro de 2012

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONOMICO PARA AFRODESCENDENTES NO MUNICIPÍO DE SAO PAULO

De segunda a quinta-feira, de 03 a 06 de setembro de 2012

Objetivo: Discutir o papel do Poder Público e da Iniciativa Privada nas relações com empresários e empreendedores afrodescendentes.


Público alvo: Empresários e empreendedores, profissionais liberais afrodescendentes, e demais interessados no tema.

Inscrições: São gratuitas e feitas pelo telefone (11) 3113-9745 / 3113-9750 


Conferência Magna:

Mr Howard Anthony Regusters – Cineasta / Washington-DC

Ms Alison Claire Moses – Consultora do Banco Mundial / Washington-DC


PROGRAMAÇÃO PROPOSTA

DIA 03/9/2012 Câmara Municipal de São Paulo – Auditório Prestes Maia 
09h30 -  Credenciamento
10h -  Solenidade de Abertura
11h - Conferência Internacional: 
Mr Howard Anthony Regusters 

• Sobre a Terra Prometida – O Movimento Negro Americano e a Construção de Estratégias para o fortalecimento econômico dos afroamericanos e das mulheres negras.

Ms Alison Claire Moses

• Reflexões sobre a Mulher Negra nos Estados Unidos e no Caribe - O fortalecimento da Autonomia Econômica e Social no Século XXI.

Sueli Carneiro - Geledés

Mediadora: Maria Aparecida de Laia - CONE

Dia 04/9/2012 Associação Comercial de São Paulo - Rua Boa Vista, 51 – 11º andar 

14hs 

Palestra: Papel do Poder Público e da Iniciativa Privada no Desenvolvimento Econômico dos Empresários e Empreendedores Afrodescendentes

Guilherme Narciso de Lacerda - BNDES/RJ

Anderson Brito Pereira - (Coord. De Raça da Comissão de Igualdade de oportunidades de Gênero, Raça e Etnia e de Combate à Discriminação – CIGO / MTE 

Tito de Oliveira – Secretário Adjunto da SEMDET

Antonio Ambrósio Amaro – Assessor de Gabinete da Secretaria Especial do Microempreendedor Individual de São Paulo

Luiz Augusto de Souza Ferreira – Presidente do São Paulo Confia

Edimar Tobias da Silva – Escola de Samba Vai-Vai

Ailton dos Santos Ferreira – SEMUR/BA 

Debatedor: Prof Dr Hélio Santos

Mediador: Umberto Correa de Brito - INTEGRARE 

15h30

Palestra: Impacto da População Afrodescendente no Desenvolvimento da Economia

Dr Juarez Xavier – UNESP

Wânia Sant’Anna – Petrobrás/RJ

Bruno Quick Lourenço de Lima – SEBRAE Nacional

Washington Lúcio Andrade – Diretor Portal Áfricas

Adriana Barbosa – Feira Preta

Debatedor: Prof Dr Basilele Malomalo –

Mediador: Laurinda Candido de Araújo – Coordenadoria das Subprefeituras

17h

Palestra: Experiências de Empoderamento Econômico dos Paises Africanos, Estados Unidos e do Brasil.

Mmaikeletsi Dube - Cônsul Geral da República da África do Sul

Mateus Barros José – Ministro e Representante Comercial de Angola 

El Hadji Abdoul Aziz Ndiaye – Embaixador da República do Senegal 

Rick de Lambert –Adido Comercial do Consulado dos Estados Unidos 

Gerard Scerb – Cônsul Honorário da República do Mali

Rui Mucaje – Diretor Financeiro da AFROCHAMBER

Prof Boubakar Sanfo - Diretor de Desenvolvimento Pedagógico -Class TRaining
Diallo Augustin Cavour - Gerente Comercial da Class Training

Debatedor: João Benício - IBADA

Mediador: João Carlos Borges Martins – Presidente do CEABRA 


05/9/2012 Associação Comercial de São Paulo - Rua Boa Vista, 51 – 11º andar

14h

Palestra: Desafios para a Regulamentação do Art.IV- inciso 1 do Estatuto da Igualdade Racial.

Mário Lisboa Theodoro - Secretário Executivo da SEPPIR

Edna Roland – Coordenadoria da Igualdade Racial de Guarulhos

Ailton dos Santos Ferreira – SEMUR/BA 

Prof Dr José Vicente – UNIPALMARES

Debatedor: Prof Dr Ivair Augusto dos Santos 

Mediador: Prof Dennis de Oliveira – USP SP (a confirmar)

15h30

Palestra: Incorporação dos órgãos de classe patronal e dos micro-empreendedores no Desenvolvimento Econômico dos Afrodescendentes

Dr Daniel Teixeira - Coordenador de Projetos do CEERT


Ramatis Jacino – Presidente do INSPIR

Jorgete Lemos – Comitê de Responsabilidade Social – CORES da FIESP

Abram Szajman - FECOMÉRCIO

Murilo Portugal - FEBRABAN

Paulo Jabur Maluf - COLOMBO

Debatedor: Michael Haradom - FERSOL

Mediador: Cleonice Caetano Souza - SCSP

17h

Palestra: Apresentação de empreendimentos bem sucedidos sob o comando de Empresários Afrodescendentes

Helder Dias – HDA Models

Adriana Barbosa – Kultafro / Feira Preta

Renata Aparecida Felinto dos Santos – Cubo Preto

Sandra Camposs e Pedro Neto – Campomare Produções

Ivan Renato de Lima – Sahck Consultoria / Implantação ISO 9000 

Edison Araújo – Black Time

Debatedor: Maurício Pestana – Pestana Artes

Mediador: Cláudia Patrícia de Luna – Luna Advogados

06/9/2012 Associação Comercial de São Paulo - Rua Boa Vista, 51 – 11º andar

09h às 14h

Workshop: “Relatório sobre Diáspora e estratégia de fortalecimento de empreendedores afro – brasileiros”.

Ms Alison Moses – Consultora do Banco Mundial

Prof Dr Hélio Santos 

Prof Dr Ivair Augusto dos Santos

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A nossa fome: Salvem a cultura popular! - Edição da Coluna para ...

A nossa fome: Salvem a cultura popular! - Edição da Coluna para ...: Carimbó, Maxixe, Côco, Lundu, Catira , Xaxado... de origens etimológicas diversas, essas palavras podem soar aos desavisados como palavrões,...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Acompanhe o mapeamento que a Educafro fez das 129 instituições públicas de ensino superior com sistema de cotas

A ONG Educafro criou uma ferramenta para estudantes de todo o País pesquisarem as instituições de ensino superior que adotam algum tipo de cota em seus processos seletivos. O levantamento é especialmente útil porque neste sábado, 7, começam as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que unifica a oferta de vagas em escolas públicas para quem prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
No site da entidade (http://www.educafro.org.br/), o vestibulando poderá navegar por um mapa interativo do Brasil. Ao clicar nos Estados, encontrará a lista de instituições com alguma política de reserva de vagas. A ferramenta reúne estabelecimentos federais, estaduais e municipais. Também é possível saber o ano de implantação das cotas em cada unidade, como funcionam os sistemas e os atos administrativos que deram origem ao acesso restrito.
A Educafro mapeou 129 instituições com cotas. A maioria fica na Região Sudeste - só no Rio, 17 têm reserva de vagas. Na outra ponta vem o Centro-Oeste, com 10 estabelecimentos. O Estado cujas escolas mais separam cadeiras é o Paraná: 18.
Para o presidente da Educafro, frei David Raimundo dos Santos, o número de estabelecimentos com cotas representa uma “grande vitória em pouco tempo”. Ele lembra que a primeira instituição do País a adotar reserva de vagas foi a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), em 2003. “De lá para cá, reitores sérios tomaram as rédeas para garantir um país mais igual”, diz.
Sisu

As inscrições para as 108.552 vagas disponíveis no Sisu devem ser abertas nas primeiras horas do sábado.
Algumas instituições participantes separam parte das cadeiras para cotistas. Assim, em parte dos cursos haverá dois tipos de disputa: ampla concorrência e ações afirmativas. O candidato deverá, no momento da inscrição, optar pela modalidade de acordo com o seu perfil.
Durante as duas chamadas, o aluno que se inscreveu pelas ações afirmativas vai competir com outros que fizeram a mesma escolha. E o sistema selecionará, no grupo, aqueles que tiveram as melhores notas no Enem 2011. O Sisu está aberto para consultas às vagas no endereço http://sisu.mec.gov.br/.
PARA ENTENDER

Universidades têm autonomia
As instituições de ensino superior têm liberdade para criar seus próprios sistemas de cotas. Entre os vários tipos de ações, há reserva de vagas para negros, indígenas, ex-alunos de escolas públicas e filhos de policiais mortos em serviço.
Tramita no Congresso um projeto que prevê 50% das vagas em universidades para negros e para quem estudou na rede pública de ensino.
O assunto já chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF), que deve se pronunciar neste ano sobre a constitucionalidade da reserva de cadeiras para negros e indígenas na Universidade de Brasília (UnB). As cotas são apenas um tipo de ação afirmativa.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Gestão de sítios históricos é tema de debate no segundo dia do Seminário Internacional

Dando continuidade ao Seminário Internacional “Herança, Identidade, Educação e Cultura: gestão de sítios históricos ligados ao tráfico negreiro e à escravidão”, as Reuniões Técnicas dos profissionais atuantes na preservação e na promoção de sítios e lugares de memória ligados à escravatura que aconteceu, na última terça-feira(21), contou com a presença de especialistas da África, das Américas, do Caribe, do Oceano Índico e da Europa.
Os especialistas africanos ressaltaram a dificuldade em repassar aos visitantes dos sítios históricos ligados a verdadeira história da escravidão. O diretor de Educação dos Museus de Gana e Conselho de Monumentos (GMMB), Stephen Korsah, ressaltou que a questão se torna ainda mais complicada, porque os africanos têm uma versão sobre a escravidão, enquanto os europeus e os livros de história apresentam outras versões. “Conhecer a verdadeira história é complicado, por isso, decidimos então mesclar e utilizar o que há nos livros e nos relatos orais da população”, contou.
Ao apresentar dados e fotos do Castelo de Cape Coast, uma fortificação construída em Gana por comerciantes suecos para o comércio de madeira e ouro e, utilizada mais tarde para o comércio transatlântico de escravos, Korsah falou sobre os desafios de conservação e preservação dos sítios de memória.
“São inúmeros os desafios, mas o nosso departamento cuida disso e faz parte das nossas boas práticas fazer o nosso melhor. Acreditamos que os alunos e a população local são agentes de disseminação, porque crescem ouvindo e vendo o trabalho que aplicamos. Por isso, temos certeza que no futuro, poderão transmitir esse conhecimento e passar para frente”, disse.
O historiador Charles Samson Akibode acredita que além da preservação, é preciso se preocupar com a melhoria de vida da população dos sítios históricos. “Não podemos falar de turismo e riqueza se não pudermos falar em melhorar a vida dos moradores”, defende. “Ao capacitar e incentivar a busca pelas raízes, nós os inserimos no processo de conversação histórica necessária para manter viva a memória desses lugares”, completou.
Akibode compartilhou com os participantes as práticas utilizadas em Cidade Velha, primeira capital de Cabo Verde e declarada como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, em 2009. Para ele, o modelo de gestão que melhor funciona em Cidade Velha é o participativo. “O modelo piramidal, onde as gestões vêm de cima para baixo, não é o ideal”, analisa. “Levamos em conta as preocupações da comunidade e, dessa forma, conseguimos envolvê-la em todas as decisões. Assim, se sentindo parte de tudo o que a Cidade é, essa população garante que a conversação história seja mantida”, afirma.
Paul Lovejoy, diretor do Harriet Tubman Institute for Research on the Global Migrations of African Peoples (Harriet Tubman Instituto de Pesquisa sobre as migrações globais dos povos africanos), surpreendeu os participantes ao falar da escravidão no Canadá. Segundo o especialista, as pessoas não pensam no Canadá quando pensam nos afrodescendentes e em escravidão, mas o Canadá tem uma história muito efetiva no que se refere ao tema. “O Canadá abrigou cerca de 20 mil afrodescendentes que escaparam da escravidão ou fugiram dos Estados Unidos, porque tinham medo de serem reescravizados, mesmo já sendo libertos”, contou.
Lovejoy explicou que uma das preocupações canadenses é sobre como fazer com que os cidadãos aprendam o impacto da escravidão no mundo moderno e como fazê-los entender que escravidão é um crime. Para isso, o Canadá possui um programa de rastreamento de sítios da experiência afro-canadense, onde o reconhecimento dos lugares de memória é realizado em total cooperação com as comunidades.
Luís Rocca Torres, representante do Peru, manifestou sua opinião e ressaltou a importância da promoção dos sítios de memória dos peruanos. A ideia é reunir o maior número possível de sítios e posteriormente submeter sua candidatura para avaliação da Unesco. 
O Uruguai atua em parceria com o Paraguai e a Argentina para identificar seus sítios de memória com o objetivo de promover, preservar e valorizar o legado da ancestralidade africana deixado em seus países.
Karla Chagas, pesquisadora do Centro de Patrimônio da Nação do Uruguai, destacou o Caserio de lós Negros, porto de entrada de escravos no país, em 1788, localizado em Montevideo  transformado em monumento em 2002, Casco Historico de Colonia Del Sacramento fundado por Portugal em 1690, Calera de las Huérfana de 1791, Oratorio de lós Correa de 1826 , característico pela forte presença da população brasileira.
Segundo a pesquisadora, a população afrodescendente do país é de apenas 10% em relação ao resto da população de origem europeia. Outro patrimônio uruguaio de destaque é candombe termo que se refere à danças e ritmos praticados pelos negros no Uruguai baseado nos tambores chamados de tangó ou tambó nome também usado para designar o lugar onde realizavam as candomberas.  Essas manifestações culturais à céu aberto chegaram a ser reprimidas pelas autoridades no século XIX, e por muito tempo foram realizadas apenas em ambientes fechados, em clubes secretos organizados pelos africanos e afrodescendentes.
Representante do Haiti, Mireille Frombum afirma que as circunstâncias políticas e os desastres naturais ocorridos no país não destruíram a força do povo haitano. E exibiu fotos de um museu pertencente a sua família que foi transformado em um local de memória à serviço da história. Reconstruído a partir de ruínas, a missão principal do museu é trabalhar, sobretudo, com crianças para desenvolver a autoestima e a valorização da história do negro no país.
Mathieu Dussauge, representante da Rota do Escravo em Guadalupe é coordenador do programa Traços e Memórias inaugurado em 2010. O projeto permite conhecer melhor os sítios patrimoniais ligados à história da escravidão em todo conjunto do território caribenho. A intenção é unificar o trabalho da Unesco junto com todas as zonas do Caribe Latino e promover a  Rota da Abolição da Escravatura que visa a valorização humana.
O ministro dos Povos Indígenas e Afrodescendentes de Honduras, Luís Green Sales, fez um cumprimento em sua própria língua e chamou a atenção para a valorização das línguas, dialetos e tradições africanas. Ressaltou a importância da agenda negra no contexto sócio-cultural e político no sentido de torná-la visível àqueles que negam a sua existência. E lembrou de locais importantes como o Forte de Santa Barbara, Forte de São Fernando, Igreja das Dores, como valiosas contribuições africanas.
O evento está previsto para acabar, nesta quinta-feira (23), com o resumo das perspectivas para a instalação de itinerários de memória (educação, cultura e desenvolvimento local) e  orientações para a elaboração do guia metodológico e conteúdos pedagógicos para os módulos de formação.

PRORROGADAS AS INSCRIÇÕES do Edital de qualificação para Agentes Culturais da Juventude Negra

Foram prorrogadas, até 4 de setembro, as inscrições do Edital – Chamada Pública nº 001/2012, que fará a seleção de projetos para implantação de dez Núcleos de Formação de Agente Cultural da Juventude Negra – NUFAC.
Com objetivo de cumprir as diretrizes formuladas pelo Fórum Nacional dos Direitos da Cidadania do Governo Federal, o edital selecionará 10 (dez) propostas de órgãos ou entidades da administração pública direta e indireta federais, estaduais, municipais e do Distrito Federal, instituições culturais, públicas e entidades privadas sem fins lucrativos, que tenham, entre outros requisitos, foco de atuação em cultura e educação.
Os NUFAC’s que  serão criados visam a qualificação de jovens negros e negras do ensino fundamental e médio, completo e incompleto, das classes sociais C, D e E de todas as regiões brasileiras.
Para visualizar ou imprimir a versão em PDF do Edital, clique aqui

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Os jovens negros morrem e as mulheres negras também morrem


Já faz um tempo que o movimento negro vem colocando na pauta a discussão sobre o genocídio da juventude negra, criminalização da pobreza e a política de encarceramento em massa promovida em nosso país. Debate duro, difícil, mas que é preciso ser encarado, pois é a realidade de milhares de pessoas no Brasil, incluindo mulheres, sejam as mães daqueles que foram assassinados ou as jovens negras que sofrem com abortos ilegais e inseguros.
Os mais recentes índices de violência demonstram o perfil racial dos assassinatos no país. O número de mortes de jovens negros, entre 15 e 24 anos, é 139% maior do que de brancos. Segundo o Mapa da Violência 2012, entre 2001 e 2010 o número de vítimas brancas, de 15 a 24 anos, caiu 27,5% (de 18.852 para 13.668), enquanto que de vítimas negras aumentou 23,4% (de 26.952 para 33.264). (ROCHA, Raiza. Ato denuncia o extermínio da população negra em São Paulo)
Porém não é apenas através do recrudescimento da violência policial que vemos a população negra ser exterminada nestas últimas décadas. Importante lembrar da política de esterilização promovida nas periferias, impondo as mulheres uma condição que não foi escolhida por elas e baseada no modelo americano de combate a pobreza que inclui encarceramento em massa, esterilização das mulheres negras e criminalização da pobreza. Aqui talvez o maior arauto deste modelo de extermínio da população pobre e negra seja o governador do Rio de Janeiro: Sérgio Cabral.
A esterilização ocupou lugar privilegiado durante anos na agenda política das mulheres negras que produziram campanhas contra a esterilização de mulheres em função dos altos índices que esse fenômeno adquiriu no Brasil, fundamentalmente entre mulheres de baixa renda (a maioria das mulheres que são esterilizadas o fazem porque não encontram no sistema de saúde a oferta e diversidade dos métodos contraceptivos reversíveis que lhes permitiriam não ter de fazer a opção radical de não poder mais ter filhos). Esse tema foi, também, objeto de proposições legislativas, numa parceria entre parlamentares e ativistas feministas que culminou no projeto de Lei nº 209/91, que regulamentou o uso da esterilização. (CARNEIRO, Sueli. Mulheres em movimento)
Estas nuances da política de genocídio da população negra que vemos em nosso país acabam escondidas, invisibilizadas justamente pelo fato de que quando nós mulheres negras nos organizamos para debater a categoria gênero junto ao movimento negro ou a categoria raça junto ao movimento feminista acabamos tolhidas como divisoras dos movimentos, quando na verdade é o contrário, é a tentativa de demonstrar o quão hoje a sociedade machista e racista persegue, esteriliza e mata um povo que tem cor, gênero, sexualidade e tantas outras categorias.
Não é de 2012 que vemos um recrudescimento da violência policial em nosso país e mais precisamento no estado de São Paulo, só lembrar dos crimes de maio e todo o debate sobre desmilitarização da polícia em nosso país. Além obviamente do debate sobre direitos sexuais e reprodutivos, pois as mulheres negras tem mais chances de morrer de abortos ilegais e inseguros e ao recorrer aos postos de saúde terem atendimento negado. Pois, somos nós quem mais precisamos do serviço público de saúde, que hoje está entregue a privatização e muitas vezes é gerido por organizações sociais ligadas a igrejas diversas. Somos colocadas para morrer de hemorragia, julgadas e condenadas a morte por médicos e enfermeiras, assim como os jovens negros são julgados e condenados a morte pela Polícia Militar em todo país.
Estamos em um estado no qual a cada dia são mortas 2 pessoas pela Polícia Militar de São Paulo e nada é apurado. Enquanto isso, grande parte das candidaturas a prefeitura falam em recrudescer a violência na periferia com um sorriso na cara, como se fosse resolver o problema da violência em nossa cidade assim, quando na verdade só opera um programa racista e segregatório. E, nas pontas, lá estão as mulheres, perdendo seus filhos, sendo humilhadas nos presídios e fundações casas com revistas vexatórias, sabendo que seus filhos ou filhas sofrem torturas e afins. Mas isso é ainda mais calado, para que relevar o que sofrem estas mulheres, né?
O problema é que não nos colocamos a pensar que política é essa, até porque por muitos anos essa ideologia entra cotidianamente em nossas vidas através dos programas sensacionalistas do mundo cão, como o Aqui e Agora, Programa do Ratinho, Datena e outros, ou das notícias que não passam de boletins de ocorrência escritos com outras palavras. Fomos sendo hipnotizados por uma falsa idéia de que era necessária uma política de segurança, que, para ser mais eficiente, poderia violar todos os nossos direitos, transferindo para o braço armado do Estado todos os desígnios das nossas vidas. A cada tiro no cidadão, um tiro em nossa já muito baleada Constituição.
O atual governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, quando assumiu seu primeiro mandato em 2001 reafirmou a mentalidade intervencionista, repressiva e autoritária baseada na doutrina de segurança pública dos Estados Unidos de guerra preventiva e permanente contra o terror. A política de "tolerância zero" é de guerra contra o inimigo interno, já que não estamos em guerra com outro país. Pra quem acha um exagero, já que se nomeia o atual regime que vivemos de democracia, até as estatísticas oficiais apontam que o inimigo interno é a população pobre e negra. (MANOEL, Givanildo. Mentiras, verdades e silêncio sobre a política de insegurança pública)
Se na periferia ouvimos histórias e mais histórias de mães e irmãs sobre prisões inexplicáveis, sobre desrespeito aos direitos humanos, a situação real é sempre mais difícil. O genocídio da juventude negra atinge na maioria jovens negros, mas são as mulheres negras que aqui ficam com a estigmatização, com a dor de não enterrarem seus filhos. Mas a violência, como eu disse, não nos atinge apenas quando a polícia mata um dos nossos de forma arrogante, mas também quando somos relegadas sozinhas para morrer nos hospitais. O algoz dos jovens negros é a polícia, o algoz das jovens negras é a privatização da saúde. Tudo isso servindo ao mesmo governo e a mesma ideologia racista, machista e capitalista.
Segundo matéria da Caros Amigos em dois meses morreram mais 200 pessoas na periferia de São Paulo e nas cidades satélites. Ilustração – Tributo as Mães de Maio e as mulheres de coragem do Brasil e de todo mundo" de Carlos Latuff, Maio/2011.
Basta vermos que há pouco tempo o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, empossou mais de 200 delegadxs e, pediu para recrudescer com a juventude. Isso pode ser visto em nossa periferia cada vez mais, até onde li já morreram mais de 200 pessoas nestes dois meses de "guerra ao terror" do tucanato. Mães, irmãs e filhas que perderam seus entes e muitas vezes nem sabem onde estão enterrados ou presos. E a saída ainda é matar, e se procurarem por aqueles desaparecidos durante os confrontos, a resposta é preconceito e humilhação. A culpa é da família e não de um estado que a tudo segrega e nega direitos básicos de cidadania. Coincidência com crimes da ditadura? Só pode.
O que se percebia era um trânsito entre uma ideologia da repressão política dos anos 70 (simbolizada na Escola Superior de Guerra, think tank da doutrina da ditadura militar) com a segurança pública do início do século XXI, principalmente quando os governos brasileiros eleitos em 1989, 1994 e 1998 inseriram o país na doutrina neoliberal que significou uma intensificação da concentração de renda. A lógica dos interrogatórios com requintes de tortura nas delegacias,a postura ostensivamente violenta dos agentes da PM nas ruas,a manipulação de provas, entre outras coisas,até mesmo a postura quase que institucional de justificar os atos violentos da polícia como reação à suposta resistência da vítima lembra estes períodos da repressão política. (Genocídio da Juventude Negra:Doutrina da ditadura e racismo continua firme e forte nas forças de segurança)
Estamos à margem da sociedade e para isso justifica nos retirarem a força de nossas casas, matarem nossos filhos e nos negarem acesso a saúde. Nos matam por nos odiarem, nos humilham por nos odiarem, fazem tudo por que odeiam o povo e o povo desse país é negro, mulher, LGBT e trabalhador.
Luka - Paraense radicada em São Paulo, jornalista, mãe, feminista e socialista. Graduada em Jornalismo pela PUC/SP, foi militante e coordenadora nacional da Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (ENECOS), acompanha mais ou menos a oposição dos jornalistas, faz parte do setorial de mulheres do PSOL e é coordenadora do cursinho Guerreira Maria Filipa, em Guaianases, da UNEafro-Brasil.