domingo, 30 de dezembro de 2012

Campanha publicitária exclui modelos negros mesmo falando sobre África!

Por Jonathan José Alves Ribeiro

Vamos problematizar a publicidade brasileira
Campanha publicitária exclui modelos negros mesmo falando sobre África.
http://www.wmccann.com.br/index.php/wmccann-cria-campanha-para-nova-colecao-de-esmaltes-colorama/
Fico refletindo sobre esse comercial produzido por essa empresa publicitária. Vivemos em um país onde por décadas o Movimento Negro, vem tentando introduzir uma imagem negra/prpeta e fora de esteríotipos racistas na publicidade brasileira. Ora invisiblizados, ora ridicularizados, sabemos que pelo último censo boa parte da população brasileira se declara não branca, mas geralmente essa população negra e mestiça sempre é subrepresentada.
Todos sabemos que a maior parte da população do continente africano é negra, embora alguns utilizem o termo preto, essa população vem em diferentes tonalidades, um exemplo são os sudaneses comparados aos somalis, temos população não brancas até na Asia, a diversidade existe dentro do continente africano, a própria África do norte, chamada por muitos de África branca, possui população negra e mestiça, resumindo a maioria do continente africano é negro, se formos juntar todo o continente, da África.
Podem argumentar que existem brancos lá, mas a maioria da população do continente é negra. Sempre que no Brasil pensamos no continente pensaremos em povos pretos.
Sabendo do histórico de invisiblização negra no Brasil, a colorama junto com essa empresa ao produzir o comercial  África poderia ter explorado a imagem de uma modelo negra, pois vi referências da África tradicional na roupa da modelo, fizeram um comercial pra lançar uma linha África, onde não tinha nenhuma negra no comercial, não vi nenhuma mulher com tais atributos e sim um casal branco e em outra cena ela e as amigas também brancas, um comercial que utliza o continente africano como inspiração e não é capaz de convidar uma negra pra participar, sabendo das dificuldades das modelos negras no mundo da moda brasileira.
Modelos negras sofrem invisiblidade no mercado da moda brasileira e quando fazem um comercial África esquecem delas. Tops negras não possuem o direito de representarvnem o continente africano?



As agências brasileiras e residentes no Brasil devem lutar pra que a diversidade, tão propagada no Brasil, seja fielmente representada, não adianta nada falarmos de democracia racial, se as populações socialmente vistas como não brancas, estão subrepresentada. Nos Estados Unidos, país da segregação, vemos negros em publicidades, quer um exemplo lá temos diversos apresentadores negros, conte quantos temos na tv aberta brasileira, principalmente a globo a mais famosa delas.
Outro dado interessante foi o remetimento do continente africano a selvageria,. Por acaso só existem florestas e homens tribais? Até o conceito do que é selvagem deve ser questionado, pois vivemos em um mundo onde o padrão de mundo é determinado pelo mundo euro-norte-americano, dentro do continente africano, antes do periodo colonial, existiram diversas civilizações, o Egito antigo foi uma delas, cujo o verdadeiro nome é Kemet.  Tivemos os povos do reino do kongo, milhões de grupos etnicos com suas ricas culturas, o reino do mali cujo era um reino onde o rei foi considerado o homem mais rico, tivemos a civilização de kush...
E outra critica. Qual é a função do macaco no comercial?

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Desrespeito! Anúncio de venda de escravos no Mercado Livre.

Um absurdo o que está acontecendo agora na internet. O anúncio expirou em 24 de novembro, mas é preciso denunciar este internauta inescrupuloso!
Se for brincadeira, é de muito mal gosto e configura-se como crime, de ódio e tráfico de pessoas.
Como é possível que o Mercado Livre, tão conceituado pelos negócios feitos de pessoa a pessoa, tenha permitido este tipo de anúncio, tráfico de pessoa on line.

Temos que ficar atentos a esta falta de respeito para com os afrodescendentes e todo o povo sofrido e também exigir que estes sites sejam mais rigorosos no que fazem.
Há que se ter respeito com outro ser humano como se tem consigo mesmo, se as pessoas não se respeitam, não servem para o convívio em sociedade. Temos uma Carta Magna, a Constituição que rege estes princiipios de igualdade.


"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:



XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;"


Por isso mesmo, este tipo de postagem, seja onde for precisa ser denunciado, seu publicante devidamente punido para que haja respeito a todo e qualquer ser humano.

Copie o link da página e denuncie:
 http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-450715862-vendo-escravos-_JM

E no twitter:
https://twitter.com/buscaml/status/273105665621389313

Denunciem ao Safernet que investiga crimes on line www.safernet.org.br
Denunciem para a Polícia Federal pelo www.denuncia.pf.gov.br

É uma falta de respeito total, uma provocação em pleno mês da Consciência Negra.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carta aberta da Campanha Contra o Genocídio da Juventude Negra

Nós, representantes da sociedade civil organizada, cidadãos e cidadãs que vivenciam os resultados nefastos da atual política pública de segurança, manifestamos nossa profunda rejeição à atuação violenta e criminosa dos agentes de segurança no estado, em especial, na região Metropolitana de São Paulo, que tem sido dirigida aos jovens negros e pobres. A atual política estadual tem sido justificada a partir da noção equivocada de ‘guerra contra o crime’, que estereotipa e persegue segmentos excluídos e marginalizados da população, elegendo-os como inimigos e jogando em seus ombros a culpa pela violência. Com um discurso baseado no preconceito, oferece um tratamento dirigido ao cidadão rico e branco e outro para cidadão pobre e negro, selecionando aqueles que serão punidos e aqueles que poderão agir sem a devida regulação da lei ou até com a sua absoluta conivência. A maior parte da população não acredita mais na sua polícia. Segundo pesquisa recente do Ibope/Rede Nossa São Paulo, 55% dos habitantes paulistanos não confiam na polícia civil e militar. 52% não confiam na Guarda Civil Metropolitana de São Paulo. No entanto os governos entregam a esses profissionais armais letais e não letais, que, ao invés de proteger, se voltam contra a população. Somos todos reféns não apenas de maus policiais, mas daqueles que, ao ocupar os postos de comando, determinam e respondem por uma política pública genocida.

Com números muito superiores ao Massacre do Carandiru, o assassinato de jovens nos últimos anos tem sido sistemático e incide, em especial, sobre uma etnia específica: a negra. Segundo o Mapa da Violência 2011, o número de homicídios contra jovens brancos caiu 30% nos últimos anos, enquanto cresceu 13% o percentual de jovens negros assassinados. A participação policial no número de mortes vem crescendo – no primeiro trimestre de 2012 a polícia foi responsável por nada menos do que 20% dos homicídios da capital. O termo genocídio é, portanto, o que melhor define a situação. Escondidos atrás do policial que coloca sua vida em risco, os verdadeiros responsáveis insistem em negar denúncias e números assustadores, vindo a público afirmar que a situação está “sob controle” e que existem somente “problemas pontuais”. Tentam mal disfarçar que o grave problema da violência policial e do encarceiramento em massa é resultado direto de uma política de segurança pública que incita os agentes de segurança a agir de forma brutal e preconceituosa, desconsiderando os direitos constitucionais e as bases da cidadania brasileira. Enquanto especialistas dentro e fora do Brasil apontam o modelo da polícia comunitária e investigativa como os mais eficientes para promover o direito à vida segura, ainda vivemos com uma polícia que investe no policiamento ostensivo, baseado na intimidação e que defende a propriedade e não o indivíduo. Os números mostram os resultados do modelo adotado:
• 2.262 pessoas foram mortas em supostos confrontos com a polícia entre 2006 e 2010. São mais de 450 mortes a cada ano, sendo que 170 pessoas foram mortas no primeiro semestre de 2012.
• 77,3% das vítimas de intervenção legal são jovens entre 15 e 29 anos de idade, sendo 54% negros (pretos e pardos).
• 93% de casos de morte por policiais na cidade de São Paulo acontece nas periferias.
• A juventude entre 18 a 29 anos representa 56% dos presos no Brasil, a maior parte com menos de 24 anos. 65% da população carcerária é negra.
• De um universo de 174 mil detentos no Estado de São Paulo, 57,7 mil estão privados de liberdade e ainda não foram sequer julgados. São, em média, 2.700 pessoas entrando no sistema carcerário a cada mês, que possui hoje mais de 180 mil pessoas.

Diante deste quadro, por sermos parte de um Estado Democrático de Direito no qual temos os nossos direitos resguardados pela Constituição Federal, chamamos a sociedade brasileira e paulista para que se mobilize, CONTRA O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA. Não aceitamos a violência promovida pelo Estado! Queremos que a atual gestão do Governo do Estado de São Paulo, juntamente com sua Secretária de Segurança Publica e Prefeituras dos municípios paulistas assumam suas responsabilidades e o velho discurso do “uso político” seja trocado pela disposição de pôr fim imediatamente a essa grave realidade com ações concretas e eficazes. Que o poder legislativo elabore e aprove leis que contribuam para brecar a criminalização da pobreza e a impunidade dentro das polícias. Estamos unidos, cientes de nosso importante papel político, e apresentamos aqui as seguintes reivindicações:

1. Implementar uma política de segurança pública condizente com o Estado Democrático de Direito, com respeito às bases da cidadania brasileira, ao invés da política de “guerra ao crime”, ineficiente e violenta.
a) Desmilitarização das polícias, de acordo com recomendação de organismos internacionais e especialistas em segurança pública, de acordo com a recomendação dada por países membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
b) Constitutir, no âmbito estadual, um Grupo de Trabalho (GT), com a participação do Condepe, Ministério Público Federal e Estadual, Defensoria Pública, que possibilite a ampla participação da sociedade civil com o objetivo de elaborar um Plano de Enfrentamento da Polícia Violenta, visando, sobretudo, reduzir as taxas de mortalidade por decorrência de ação policial em São Paulo.
c) Investir na investigação policial e modelos de policiamento comunitário - ao invés de priorizar o policiamento ostensivo - e ampliar, de forma significativa, os índices de apuração de homicídios, reduzindo o percentual de casos arquivados, hoje acima dos 70%.
d) O policial réu em caso de homicídio, por precaução e proteção social, em respeito aos interesses públicos, deve ser imediatamente afastado do policiamento nas ruas, sendo-lhe terminantemente vedada a ocupação de cargo de confiança ou de comando das polícias.
f) Fim da Ronda Tobias de Aguiar - ROTA, cuja criação se deu sob o nome “Batalhão de Caçadores”, que acumula um longo histórico de arbitrariedade e execuções sumárias.
2. Combater o racismo e a vitimização da população jovem, negra e pobre.
a) Que o “Plano de Enfrentamento a Mortalidade da Juventude Negra”, que se encontra em processo de elaboração no âmbito federal, seja discutido e incorporado pelos governos municipais e pelo Estado de São Paulo assim que oficializado, e que seja debatido, de forma democrática com a população e os movimentos e organismos de defesa dos Direitos Humanos, o planejamento de execução do Plano no território paulista.
b) Qualificar e intensificar formações sobre racismo, relações étnico-raciais e de direitos humanos para as polícias, que devem passar a contar, necessariamente, com a participação de especialistas e representantes da sociedade civil com trabalho reconhecido na área, como conselheiros do CONDEPE-SP, defensores públicos e membros do Movimento Nacional de Direitos Humanos.
3. Combater a impunidade do mau policial e ampliar o controle social sobre a política pública de segurança.
a) Criação de um órgão paritário (governo e sociedade civil), de forma a possibilitar a participação social na construção das políticas públicas de segurança.
b) Deve-se reconhecer a inexistência do tipo penal classificado como “resistência seguida de morte”, impossibilitando, portanto, a inserção desta classificação nos boletins de ocorrência lavrados, utilizando-se a categorização correta, “homicídio”.
c) Os processos judiciais envolvendo policiais não podem mais ter como única testemunhas os próprios policiais – hoje esse número gira em torno de 77% do total de casos, segundo pesquisa do Núcleo de Estudos da Violência.
d) Implantar uma Ouvidoria Policial Externa.
e) Promover a independência do Instituto Médico Legal (IML) das polícias.
f) As Polícias devem investir em dispositivos que garantam que os Procedimentos Operacionais Padrão sejam tornados públicos, com fácil acesso à população, inclusive por meio de portais online.
4. A política pública de segurança e sistema de justiça devem combater o encarceramento em massa, baseado no preconceito e uso do poder contra populações excluídas e marginalizadas pelo sistema político-econômico (pobres, jovens e negros), e utilizar modelos mais eficientes de enfrentamento da criminalidade.
a) Aprovação, pelo Legislativo Federal, do anteprojeto elaborado por comissão de juristas, que se transformou no PLS 236/2012, descriminalizando o porte e o uso de drogas para consumo.
b) Revisão da Lei Nacional Antidrogas (nº 11.343/2006), estabelecendo critérios objetivos para distinguir o usuário e o traficante de drogas, considerando o uso discriminatório da sua aplicação hoje.
c) Dar efetividade à Lei Federal nº 12.403/11, que prevê a adoção de medidas cautelares como alternativa à prisão e ampliar a aplicação da justiça restaurativa.
5. Enfrentar a criminalização dos adolescentes pobres, exigindo-se o respeito aos seus direitos de acordo com o previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.
a) O Judiciário paulista deve respeitar o ECA, especialmente nos casos relacionados ao tráfico de drogas, em que é vedada a imposição de medida socioeducativa de internação, também de acordo com o entendimento do STJ exposto na Sumula 492.
b) As unidades de internação devem estabelecer medidas objetivas para pôr fim a casos de agressões e mortes de internos(as), facilitando a denúncia pelos adolescentes, e instituindo-se procedimentos claros para a apuração das denúncias, investindo-se em medidas preventivas.
c) Implementação efetiva e ampla, no Estado de São Paulo, da justiça restaurativa, seja no âmbito das medidas sócio-educativas, ou nos casos envolvendo maiores de 18 anos.
d) Desvincular a ação policial das políticas dirigidas a usuários de drogas, dando fim ao tratamento do tema como “caso de polícia” e investindo no fortalecimento da rede pública de saúde, com maior acesso à informação e com atendimento de dependentes realizado prioritariamente em meio aberto. 6. Municípios do Estado de São Paulo devem promover o desarmamento das Guardas Civis Metropolitanas, baseando seu trabalho nas diretrizes da segurança comunitária e preventiva, protegendo as populações mais pobres.

A Campanha recebe assinaturas de apoio de organizações, redes movimentos e grupos organizados.

Para fazer sua adesão entre em contato com juventudenegravive@gmail.com ou pelo telefone 3151-2333 ramal 117.

Colabore para a preservação da vida e o fim do preconceito!