quarta-feira, 27 de abril de 2016

Terríveis atrocidades no Congo

Traduzimos todo a artigo do Blog de Paul Quilès para que todos os leitores entendam como é importante assinar a petição on line para que se faça uma investigação internacional e independente sobre as atrocidades que ocorrem no Congo. Assinem, é urgente!



Do Blog do Paul Quilès 
(Tradução: Sandra Sagrado)

O as mídias pouco falam sobre as terríveis atrocidades cometidas no Kivu Norte, República Democrática do Congo (para além de um artigo publicado no La Croix de 22 de Março de 2016)

   Um amigo acabou de me enviar este texto escrito por dois padres Assuncionistas (

Religiosos Agostinianos da Assunção)

 (G. Mulimu J. F. e pequenos). Ele descreve bem o horror do que está acontecendo lá e que não pode deixar-nos indiferentes, mesmo se a nossa atenção está voltada principalmente para os ataques terroristas na Europa e as guerras no Oriente Médio.

     É como voluntário que eu publiquei, esperando que ele despertará as consciências adormecidas
***************
     "Depois da remoção de três padres assuncionistas (Jean-Pierre NDULANI,  Anselmo WASUKUNDI,  Edmond KISUGHU) para Mbau norte da província de Kivu do Norte em  19 de outubro de 2012, (dos quais não temos notícias até hoje), no domingo 20 março, 2016 a partir de 23 horas, uma dúzia de soldados uniformizados das forças armadas da República Democrática do Congo, fortemente armados, invadiram a casa e assassinaram o Padre Vicente Machozi.

     Aqui temos de dar razões.

      O que está acontecendo em Kivu do Norte

     Desde o genocídio de 1994 em Ruanda, na província de Kivu, no nordeste da RDC, é sangue. O exército do antigo regime ruandês, o de genocídio, recebeu alta em Kivu com todo o seu arsenal de armas militares escondidos nas colunas de refugiados que Kivutiens que os acolheram generosamente.. Este exército está dividido em diversas maquis na floresta congolesa. Ele continua a matar, pilhar, estuprar ... A região é realmente muito rico e cobiçado por seus minerais preciosos. É difícil não pensar que o exército está sob a proteção direta ou indireta de quem está no poder no país, os países vizinhos, especialmente em benefício das multinacionais anglo-americanas.

     Os presidentes de Ruanda e Uganda, com a ajuda do governo congolês, fabricam falsas rebeliões e milícias satélite em torno deste antigo exército ruandês (FDLR). Seu objetivo real é para expulsar o povo congolês de suas terras pela violência, a fim de explorar os seus minerais. Eles usam:

1-assassinatos: eliminar a elite intelectual e todas as formas de defesa dos direitos humanos;

2- seqüestros: homens, mulheres, crianças, são sequestrados e recrutados na milícia, onde eles estão embriagados, drogados, forçados a trabalhar nas minas, para a escravidão sexual;

3- uma atmosfera de terror constante, ao deslocamento forçado de populações: mais de um milhão de famílias que vivem em acampamentos improvisados ​​em condições desumanas;

4- estupros em massa usado como uma arma de guerra contra mulheres e menores;

5- Incêndio sistemático de cidades.

     Para manter duramente o caos, seus estrategistas começam a ganhar a batalha da informação, e dissimulam,  não só as questões reais dessas guerras, mas, acima de tudo personalidades e multinacionais que por meio deste caos, ganham enormes lucros .

   Estes massacres têm dimensão agora claramente genocida. Os congoleses são mortos, estuprado e aterrorizados para fugir e abandonar suas terras, a terra geralmente muito fértil e depósitos minerais ricos. Eles podem então ser reocupados por pessoas de Ruanda e Uganda.

     A resistência dos povos indígenas

     Os autores, no entanto, enfrentam um obstáculo: os povos indígenas do leste do Congo, especialmente Nande, que são a maioria na região e que são resistentes a esta estratégia.

     É por isso que, desde 2010, têm aumentado seqüestros na população Nande: entre 2010 e 2013, mais de 800 pessoas, incluindo 3 assuncionistas foram sequestrados. A partir de outubro de 2014, a estratégia parece ter mudado: as pessoas são mortas no local em suas casas ou em seus campos, de modo a traumatizar sobreviventes e aqueles que vão fazer a descoberta. Em 7 de janeiro, a cidade de Miriki sul de Butembo, 18 pessoas foram brutalmente assassinadas, apenas a 200 metros do acampamento militar das Forças Armadas da República Democrática do Congo e 500 m do campo de forças de paz da ONU (MONUSCO).

     Nestas condições, pode-se compreender melhor o assassinato do Padre Vicente Machozi na noite do Domingo de Ramos. Ele se tornou um dos ovelha negra tanto Kigali e Kampala para Kinshasa porque ele denunciou publicamente estes abusos. Ele tinha começado  meticulosamente a identificar as atrocidades cometidas na região, denunciando a cumplicidade. Ele sabia que estava sob ameaça. "Orem por mim, porque eu vou ser assassinado", ele disse recentemente ao padre Emmanuel Kahindo, vigário geral dos assuncionistas. Ele já tinha escapado de várias tentativas de eliminação. O  site Beni Lubero Online  fez vários destaques  sobre muitos desses abusos.

     Além disso, o padre Vincent Machozi era presidente de uma associação cultural que trabalha para o diálogo e a paz.

    As Congregações de Assunção lançam um apelo para que haja uma investigação internacional e que seja conduzida de forma independente e realizaram esta petição direcionada ao Procurador do TPI e do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos: Um inquérito internacional sobre os massacres de Beni e Lubero (RD Congo)  ASSINE A PETIÇÃO URGENTE AQUI"

segunda-feira, 21 de março de 2016

TERÇA-FEIRA CRESPA - Aula em homenagem a Lia de Itamaracá! Gira meu mundo, gira ciranda na pisada certa!



Aula em homenagem a Lia de Itamaracá! Gira meu mundo, gira ciranda na pisada certa! Linda povaria!!! Participe das AULAS DE EXPRESSÕES e DANÇAS AFRO, POPULARES E CAPOEIRA! Terça-feira CRESPA - Vivências GRIOT.

Cabo Frio, 08 de março de 2016.

Imagens: Miriam Opelboim​

Edição: Marcia Fulô​



REALIZAÇÃO:

GRIOT

Pesquisa, difusão e memória em tradições afro



LOCAL: Casa Carlos Scliar.

quinta-feira, 17 de março de 2016

GRIOT: "Labalaba Orun" Encontro de tambores - Ação AFROCE...

GRIOT: "Labalaba Orun" Encontro de tambores - Ação AFROCE...: Imagens: Yana AULAS DE DANÇAS AFRO, POPULARES E CAPOEIRA! Terça-feira CRESPA - Vivências GRIOT. Ações AFROCENTRADAS. Faça parte do...

sábado, 23 de janeiro de 2016

Omar Sy e Zem, o boicote dos Oscars é "legítimo"

Atores e diretores americanos denunciam a falta de candidatos negros entre os finalistas para o Oscar.
Omar Sy e Zem sna promoção de  seu filme Chocolate, nos cinemas 03 de fevereiro © FRANCOIS_LO_PRESTI / AFP

Cineasta francês Zem, que acaba de completar Chocolat sobre a história do primeiro palhaço negro na França, eo ator Omar Sy sentiu que o boicote do Oscar por artistas para protestar contra a falta de atores megrps era "o caminho certo" e "legítimo". A controvérsia é "um impulso na direção certa, no desejo de restabelecer o equilíbrio", como o "filme sobre o trajetória do palhaço do chocolate", disse o ator Omar Sy, à AFP quarta-feira .

"Ele desafia." "Acho legítimo o boicote dos americanos,  bem como o boicote de designers em Angoulême, porque não havia mulheres na competição", disse o ator e diretor lateral de origem marroquina Zem, referindo-se ao clamor na França pela falta de mulheres nomeadas para o Grande Prémio do Festival de BD de Angoulême.

"Sempre que uma comunidade, uma minoria é excluída por uma razão  difícil de explicar para o mesmo trabalho e o mesmo talento, e ainda commais talento, está certo boicotar!" Zem acrescentou, sublinhando que "deve ser manifestada quando se sente excluído." "Esse tipo de luta que devemos realizar, porque nos desafiam".

A controvérsia nos Estados Unidos. Pelo segundo ano consecutivo, a falta de atores ou atrizes negras nos 20 finalistas para o Oscar é controversa nos Estados Unidos. O diretor Spike Lee e a atriz Jada Pinkett-Smith, esposa de Will Smith, disse que iria boicotar a cerimônia de premiação em 28 de fevereiro.

Fonte: Europe 1

sábado, 26 de dezembro de 2015

Par RFI 

Duas dezenas mortos e feridos na fronteira hispano-marroquina. No pequeno enclave de Ceuta, centenas de migrantes tentaram chegar a Espanha, nesta sexta de manhã 25 de dezembro.



Por volta das 15h (local), sexta-feira de manhã, centenas de imigrantes tentaram ganhar o enclave espanhol de Ceuta. Enquanto 200 deles havia embarcado em uma viagem a nado desde a costa marroquina, 185 outros tentaram subir o arame farpado que separa Marrocos a partir de Espanha.

Os resultados relatados foram cerca duas dezenas mortos e feridos. De acordo com as autoridades marroquinas, duas pessoas morreram afogadas. Para as associações de lá, seriam dois camaroneses, mas nenhuma confirmação oficial foi dada até momento. A Cruz Vermelha espanhola anunciou que 12 pessoas foram hospitalizadas no lado espanhol, depois de se ferirem no fio.

Cerca de 185 pessoas foram capazes de alcançar o território espanhol e uma centena de outros foi preso no lado marroquino. Helena Maleno, da  Associação  Caminando Fronteras,manifesta a sua preocupação com o destino dos detidos devido a "violações dos direitos humanos, que às vezes pode ser observado na polícia marroquina."

Há mais de seis meses havia tantos migrantes que tentavam atravessar a fronteira no enclave de Ceuta. Em fevereiro de 2015, 15 pessoas se afogaram tentando chegar Ceuta nadando.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

México toma grande passo, reconhecendo finalmente os afro-latinos

Trecho Huffington Post:


Pela primeira vez na história nacional do México 1,38 milhões de afro-mexicanos estão sendo reconhecidos por sua afrodescendência pelo governo.

México é o lar de uma população diversificada, mas censos nacionais excluíram documentação de linhagem Africana desde a Revolução Mexicana de 1910. Por 95 anos, a identidade nacional para o México foi "mestiçagem", um termo que só reconhece descendentes de colonizadores inter-raciais e comunidades indígenas e ignora o papel dos  africanos escravizados em ascendência mexicana.

Passado de escravidão e colonização da América Latina está ligada ao racismo anti-negro, que alguns países têm tentado lutar com anti-discriminação e as políticas de ação afirmativa. Negar a existência da população negra por não contá-los no censo nacional é um grande racismo estrutural que se desenrola em países latino-americanos, embora anti-negros é um problema difundido em outras questões, Ativistas afro-mexicanos lutaram por mais de 15 anos para o reconhecimento formal na constituição mexicana.

Um grupo ativista pró-preto-do México, México Negro, fez campanha com sucesso para os afro-mexicanos serem incluídos no censo nacional em 8 de dezembro . De acordo com o Quartz, a pesquisa nacional constatou que 1,2 por cento dos mexicanos, ou seja,  1,38 milhões de pessoas, são de ascendência africana. Após este momento histórico para o México, afro-mexicanos finalmente podem identificar-se num relatório do censo corretamente.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Rei do Bailundo confirma visita ao Brasil

O Brasil e América latina receberá em 2015 a visita oficial de um Rei Tradicional Bantu, fato histórico a ser acrescentado na própria história do País.

Fonte: Ilabantu
Para marcar a data, o Ilabantu e Nzo Tumbansi, junto a várias entidades culturais e tradicionais e do movimento negro brasileiro estão organizando a presença do soberano do Bailundo Armindo Francisco Kalupeteca “Ekuikui V”, de 40 anos, que em conversa telefônico (25/12/14) e ao desejar votos de boas festas a Taata Katuvanjesi – Walmir Damasceno, confirmou sua presença em território brasileiro dia 15 de abril de 2015 desembarcando no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos acompanhado da Rainha, Apolinária Kassinda e do ministro da segurança do reino, Sabino Jerônimo, além de outros integrantes da comitiva real.

O reino do Bailundo

O reino do Bailundo, localizado na província do Huambo, continua a marcar a história e a tradição do povo angolano, 110 anos depois do seu aparecimento no mapa geográfico angolano.
A história registra que o apogeu do Reino do Bailundo se deu durante o reinado de Ekuikui II, de 1876 a 1890. Mas, foi o Rei Katyavala I que fundou o reino, vindo das terras do Kwanza Sul com a sua família, quando habitou nas cercanias das montanhas de Halavala.
Antes do Século XVII, o reinado manteve-se à margem do domínio colonial. Só por volta de 1770/71 é que Portugal se instalou no Reino do Bailundo com a presença de um juiz. Em (1885) a colônia portuguesa já estava representada no reino com um capitão-mor.
O rei Ekuikui II teve “status” de diplomata exímio. Ousou evitar a guerra e incentivou a prática da agricultura na população, e durante o seu reinado o Bailundo não enfrentou grandes guerras. Depois da sua morte surgiram as grandes guerras que culminaram com a subjugação do Bailundo e de toda a região do Planalto Central, isso em 1902.
Nesse mesmo ano foi criado o Posto do Bimbe, a 16 de Julho, passando então a denominar-se Katapi e posteriormente Vila Teixeira da Silva.
Atualmente, o município do Bailundo conta com cinco comunidades, Bailundo, Bimbe, Hengue, Lunge e Luvemba, ocupando uma superfície de 7 mil e 65 quilometros quadrados.
Possui 573 aldeias e 79 Ombalas. No território do Bailundo abundam várias cadeias montanhosas, das quais se destacam as de Lumbanganda, Chilono, Nity e o morro do Halavala, onde jazem os restos mortais dos reis Katyava e Ekuikui, símbolos da resistência anticolonial na região do Planalto Central.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Conheça o prefeito de Nova York, Bill de Blasio

Nos últimos dias tem circulado uma foto sem link atribuindo uma frase ao prefeito de Nova York, Bill Blasio, em virtude de sua família ser multirracial. Não há comprovação de que a frase foi dita por ele, já que não é cabível a um prefeito causar insegurança a seus cidadãos. Por este motivo, conheçam um pouco sobre este prefeito democrata que criou muitas expectativas nos EUA. Republicamos matéria de 01/01/2014 do G1.Globo

Eleito com 73% dos votos, democrata substitui Michael Bloomberg.
Ele promete mudanças radicais e combate à desigualdade.

Da AFP
Ao lado da família, Bill de Blasio acena após prestar juramento nesta quarta-feira (1º) como prefeito de Nova York (Foto: Seth Wenig/AP)Ao lado da família, Bill de Blasio acena após prestar juramento nesta quarta-feira (1º) como prefeito de Nova York (Foto: Seth Wenig/AP)
O democrata de esquerda Bill de Blasio assumiu a prefeitura de Nova York nesta quarta-feira (1º)  prometendo mudanças radicais na maior cidade dos Estados Unidos, especialmente no combate à desigualdade.

Bill de Blasio, 52 anos, que sucede o milionário republicano Michael Bloomberg, prestou juramento no primeiro minuto após a meia-noite em frente a sua pequena casa, no bairro do Brooklyn, ao lado de sua esposa, Chirlane McCray, e de seus dois filhos adolescentes - que participaram ativamente da campanha.
'Este é o início de uma caminhada que nós iremos percorrer juntos", disse De Blasio, prestando juramento perante o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman. Ele também insistiu numa "mudança da qual todos nós precisamos".
"Muitas coisas importantes nos aguardam", disse o prefeito durante um breve discurso, antes de mandar um beijo para uma dezena de militantes que se reuniu em frente a sua residência.
A modéstia da posse de De Blasio contrasta com a de Bloomberg, nos idos de 2002. Ele escolheu a praça Times Square, e prestou juramento à 0h01 em meio a confetes e uma multidão que lotava o local. Uma forma de mostrar, na época, que a cidade - ainda abalada pelos eventos do 11 de Setembro - estaria segura em suas mãos.
Esta cerimônia de posse noturna é tradicionalmente seguida de outra - mais formal - nas escadas da sede da prefeitura, ao meio-dia.
De Blasio, primeiro democrata a governar a cidade em quase 20 anos, desperta grandes esperanças no seio na esquerda norte-americana..
Decididamente à esquerda, insistindo na vontade de colocar em prática uma administração progressista, De Blasio, um gigante de 1,95 metro de altura, antigo conselheiro municipal pelo Brooklyn, prestou juramento sobre uma bíblia que pertenceu ao presidente Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), pai do New Deal.
"Tudo isso é muito gratificante, eu sinto o peso desta tarefa mas, ao mesmo tempo, tudo isso também me é muito familiar", declarou na terça-feira.
De Blasio foi eleito no último 5 de novembro com impressionantes 73% dos votos, numa prova de que os nova-iorquinos queriam, de fato, colocar um termo nos 12 anos de administração Bloomberg.
Durante seus três mandatos, a cidade se transformou: tornou-se mais segura, mais verde, ficou em melhor forma. Mas os críticos acusam Bloomberg - um magnata com raízes no mercado financeiro - de ter governado sobretudo para os ricos, numa Nova York onde a taxa de desigualdade está entre as maiores do país.
Ao mesmo tempo em que a Big Apple conta com cerca de 400 mil milionários e 3.000 multi-milionários, mais de 21,2% dos nova-iorquinos estão abaixo da linha da pobreza e mais de 52 mil pessoas não têm domicílio fixo, vivendo em abrigos da prefeitura.
De Blasio, pró-sandinista durante seus anos universitários, criticou ainda nesta terça-feira este "conto de duas cidades", dizendo-se "determinado a encontrar soluções viáveis".
Ele disse ser a favor de um salário mínimo horário de US$ 10 (que passou a ser, nesta quarta-feira, de US$ 8 no estado de Nova York).
Ele também prometeu cobrar mais impostos dos nova-iorquinos que ganham mais de US$ 500 mil ao ano, para financiar jardins de infância gratuitos para todos a partir dos 4 anos de idades.
Com sua família multirracial, o novo prefeito também traz grandes esperanças para as comunidades hispânicas e negras - que representam 28,6% e 25,5% da população da cidade, respectivamente.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

As diferenças entre preconceito racial e discriminação racial


“Nenhum racismo é justificável, mas o ressentimento dos negros é. Construiu-se durante todos os anos em que a última nação do mundo a acabar com a escravatura continuou na prática o que o tinha abolido no papel”


O preconceito é um sentimento, fruto de condicionamento cultural ou de uma deformação mental, mas sempre incorrigível.Preconceito racial e discriminação racial são duas coisas diferentes.
Não se legisla sobre sentimentos, não se muda um habito de pensamento ou uma convicção herdada por decreto.
Já a discriminação racial é o preconceito determinando atitudes, políticas, oportunidades e direitos, o convívio social e o econômico.
Não se pode coagir ninguém a gostar de quem não gosta, mas qualquer sociedade democrática, para desmentir o nome, deve combater a discriminação por todos os meios – inclusive a coação.
Não concordo com quem diz que uma política de cotas para negros no estudo superior é discriminação.
É coação, certo, mais para tentar corrigir um dos desequilíbrios que persistem na sociedade brasileira, o que reflete na educação a desigualdade de oportunidades de brancos e negros em todos os setores, mal disfarçada pela velha conversa da harmonia racial tão nossa.
As cotas seriam irrealistas? Melhor igualdade artificial do que igualdade nenhuma.
Agora mesmo caíram em cima de quem disse – numa frase obviamente arrancada do contexto – que racismo de negro contra branco é justificável.
Nenhum racismo é justificável, mas o ressentimento dos negros é.
O Racismo construiu-se durante todos os anos em que a última nação do mundo a acabar com a escravatura continuou na prática o que o tinha abolido no papel.
Não se esperava que o preconceito acabasse com o decreto da abolição, mas mais de 100 anos deveriam ter sido mais do que suficientes para que a discriminação diminuísse.
Não diminuiu.
Igualar racismo de negro com racismo de branco não resiste a um teste elementar.
O negro pode dizer – distinguindo com nitidez preconceito de discriminação – “Não precisa me amar, só me dê meus direitos”.
Qual a frase mais próxima disto que um branco poderia dizer, sem provocar risos?
“Não precisa me amar, só tenha paciência”? “Me ame, apesar de tudo”?. Pouco convincente.
É uma questão que vai e vem, como as marés.
A velha oposição, na seleção brasileira, do time do povo e o time do técnico.
Quando as coisas vão bem (Brasil 4, Chile 0) não há discussão, quando as coisas vão mal (Brasil ali ali, Gana 0) volta a questão.
O povo quer os melhores sempre no time.
Isto se repete há anos.
Mudam os técnicos, mudam os melhores, muda, em boa parte o povo, e a questão continua indo e vindo.
Como as marés.
OBS.: Este texto do Luis Fernando Veríssimo é dedicado às pessoas que ainda não atentaram sobre a diferença entre RACISMO, Discriminação Racial e Preconceito e colocam tudo da mesma forma.
Por que um negro não pode ser racista?
Por que o RACISMO é uma construção de uma nação com todos os seus sistema político, jurídico, cultural que impõe a superioridade de uma raça sobre a outra.
Durante séculos os africanos foram submetidos ao HOLOCAUSTO DA ESCRAVIDÃO, mesmo após as libertações, ainda sim, enfrentam discriminações causadas por todo o preconceito perpetuado pelas classes dominantes que, através do Racismo, impuseram uma série de ações, condições sociais, políticas e culturais para inferiorizar os negros e até utilizaram-se da ciência para justificar e até tentar legitimar o racismo praticado.
Tenha consciência eu todo o ressentimento dos afrodescendentes reside em todo o preconceito perpetuado e disseminado pelas discriminações, consequência de séculos de racismo.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Missão de Paz da ONU retransmitirá jogos da Copa do Mundo no Haiti

Como parte da campanha de redução de violência comunitária “Ann Chwazi Lapè” (“Nós Escolhemos a Paz”, em creóle), o departamento de Comunicação e Informação Pública da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (MINUSTAH) organizou a projeção pública dos jogos da Copa do Mundo de Futebol deste ano.
Os oficiais de comunicação pública, acompanhados dos contingentes militares e da polícia da Missão, levarão esses momentos de emoção ao público haitiano em cerca de 20 comunas do país e divertirão principalmente as crianças com mensagens de sensibilização e esquetes cômicos da trupe haitiana “Les Rescapés”,atualmente em turnê no Brasil.
As partidas serão também transmitidas e comentadas ao vivo na rádio MINUSTAH FM, que abre sua sintonia aos comediantes do “Les Rescapés”. Eles farão uma intervenção diária emitida do Brasil. O grupo também publicará um blog sobre suas atividades no Brasil e estará presenta nas redes sociais da MINUSTAH.

sábado, 10 de maio de 2014

Participe da marcha pela democracia racial

Abolição inacabada será lembrada com caminhada na região central, passando por pontos históricos para a população negra



A 18ª Marcha Noturna pela Democracia Racial será no próximo dia 12 de maio (segunda).A concentração começa às 17h, da Igreja Nossa Senhora da Boa Morte (Rua do Carmo, 202, Sé) próximo à Praça da Sé, região central da capital paulista.


“A inclusão dos negros no cenário social e econômico é primordial e deve ser feita sem a cultura dos privilégios. Como Sindicato Cidadão, reivindicamos o fim do genocídio que sofrem os negros”, destaca o dirigente sindical Júlio Cesar Silva Santos. 

Percurso histórico
Realizada às vésperas da data da abolição da escravidão no país, a caminhada lembrará os 514 anos de tortura e genocídio da população negra e os 50 anos da ditadura militar no Brasil. A Igreja da Boa Morte é conhecida historicamente como local onde os escravos “rebeldes” e condenados recebiam as últimas bênçãos antes de serem mortos pelo regime escravocrata. 

De lá, a manifestação segue para a Rua Tabatinguera onde, na esquina com a Rua do Carmo, as crianças negras abandonadas eram acolhidas e batizadas pelo bispo católico local, prática que posteriormente passaria a ser feita pela “Roda dos Enjeitados”, construída pela Santa Casa, em 1924.

Os manifestantes seguirão até a Praça João Mendes, onde fica a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, construída em 1727, que servia de ponto de encontro de abolicionistas como José do Patrocínio, Luiz Gama e Antonio Bento. No local foi construído o Fórum João Mendes e, próximo ao Fórum, pode-se ver o Largo Sete de Setembro, antigo Largo do Pelourinho, instalado no início do século XIX, entre a Rua da Glória e a Rua da Força – atual Avenida da Liberdade.

Em seguida segue pela Praça da Sé – onde havia um Pelourinho instalado no século XVII - e Largo São Francisco, descendo a Rua São Bento e chegando à Praça Antonio Prado. na esquina com a Rua 15 de Novembro – antiga Rua do Rosário dos Homens Pretos - quase em frente ao Sindicato.

De lá, a Marcha vai pela Líbero Badaró, Viaduto do Chá e Praça Ramos, onde está o Teatro Municipal, em cujas escadarias nasceu o Movimento Negro Unificado contra a Discriminação, em 1978.

Em seguida os manifestantes seguirão pela Rua Conselheiro Crispiniano chegando ao fim no Largo do Paysandu, na Igreja do Rosário dos Homens Pretos.



Intervenções culturais 
Participação dos grupos Versão Rap, Trio Odu, Filhos de Obaluaê, Filhos de Gandhi, Os Crespos, Kristal e MC Soffia, entre outros.

E no dia 13 (terça), a partir das 16h, ocorrerá a audiência pública “O Negro na Ditadura”, no plenário Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, na Avenida Pedro Álvares Cabral nº 210, em frente ao Parque do Ibirapuera.

Para o movimento negro, o 13 de maio não se trata de uma ocasião comemorativa, mas de um momento de críticas e reflexão sobre uma abolição inacabada – até os dias atuais, o Estado brasileiro não criou meios para inserir, efetivamente, os negros e negras na sociedade. Além da discriminação e a exclusão social, a negritude do Brasil continua enfrentando o extermínio de sua população, principalmente dos jovens moradores das periferias.


Abolição inacabada - Além da Marcha, haverá também a audiência pública “O Negro na Ditadura”, no plenário Franco Montoro da Assembleia Legislativa de São Paulo, a partir das 16h de terça 13.

Para o movimento negro, o 13 de maio não se trata de uma ocasião comemorativa, mas de um momento de críticas e reflexão sobre uma abolição inacabada – até os dias atuais. Entende-se que o Estado brasileiro não criou meios para inserir, efetivamente, os negros e negras na sociedade. Além da discriminação e a exclusão social, a negritude do Brasil continua enfrentando o extermínio de sua população, principalmente dos jovens moradores das periferias.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ciclo de diálogos SENTIR - PENSAR – AGIR

Reunir no mesmo espaço personalidades que expressem as três dimensões possíveis de relacionamento do ser humano com fenômenos sociais: a dimensão do sentir, presente na particularidade das expressões artísticas; do pensar, presente na universalidade do conhecimento científico; e do agir, presente nas singularidades da ação política. O eixo que deve transversalizar estas três dimensões é a ética, isto é, o campo da discussão do ethos, do ser que se forma pelas sensações, razões e intervenções. Os juízos de valor devem atravessar as dimensões do ethos.

Programação 
Tema: 

14 de maio, com o tema da "Abolição Inconclusa" 

Como ficaram negros e negras brasileiras a partir de 14 de maio de 1888? 

 Ementa: 

"No dia 14 de maio de 1888, milhares de brasileiros negros e negras, até então 
submetidos à escravização, tornaram-se livres por força da Lei Áurea, proclamada 
no dia anterior. Livres, porém jogados às ruas, abandonados a própria sorte, 
viram-se obrigados a enfrentar uma sociedade profundamente marcada pelo 
preconceito e racismo e cujas instituições negavam peremptoriamente qualquer 
possibilidade de inclusão social. Viram-se privados do trabalho assalariado para o 
qual foram privilegiados os trabalhadores brancos imigrantes europeus. Viram-se 
privados da educação, saúde, do respeito. Viram suas manifestações culturais e 
religiosas serem criminalizadas. Premidos pelo racismo da sociedade capitalista, 
foram obrigados a constituir suas próprias formas de resistência em todos os 
campos. 126 anos depois, qual é a situação e quais são as perspectivas da 
população afrodescendentes brasileira? Sentir o racismo, pensar sobre ele e 
agir pela sua erradicação - esta é a proposta desta primeira roda de conversa 
para a qual convidamos três importantes personalidades do universo artístico, 
intelectual e político." 

Convidados: 
- Prof. Dr. Kabengelê Munanga - (Professor FFLCH/USP e ex-presidente do CEA - Centro de Estudos Africanos)
- Edson França - (Historiador, presidente da UNEGRO e membro do Comitê Central do PC do B)
- Mediação: Prof. Dr. Dennis de Oliveira (Professor ECA e EACH/USP, coordenador do CELACC e da Comissão Política do Coletivo QUILOMBAÇÃO)


Prof. Kabengelê Munanga 
Possui Graduação em Antropologia Cultural pela Université Officielle Du Congo à 
Lubumbashi (1969) e Doutorado em Ciências Sociais (Antropologia Social) pela 
Universidade de São Paulo (1977). Atualmente é Professor Titular da Universidade 
de São Paulo. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em 
Antropologia das Populações Afro-Brasileiras, atuando principalmente nos 
seguintes temas: racismo, identidade, identidade negra, África e Brasil. 

Edson França 
Historiador. Membro do Comitê Central do PCdoB. Membro do Conselho Nacional 
de Igualdade Racial - CNPIR, na vaga de Notório Reconhecimento em Relações 
Raciais. 

Dennis de Oliveira 
 É coordenador do CELACC (Centro de Estudos Latino Americanos de Cultura e 
Comunicação), vice-líder do Alterjor (Grupo de Pesquisa de Jornalismo Alternativo 
e Popular) e membro do Neinb (Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro 
Brasileiro), todos da Universidade de São Paulo. É professor do Programa de Pós 
Graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH/USP e do Programa 
de Pós Graduação em Direitos Humanos da Faculdade de Direito da USP. Atua 
como consultor em comunicação, educação e cultura em instituições públicas, 
particulares e organizações não governamentais. 

Entrada: Grátis 

Local: auditório da Livraria da Vila, Rua Fradique Coutinho, 915. 
Horário: 19h00 

Organização: CELACC e Livraria da Vila 

João Roquer
CELACC/USP
Fone/fax 55-11- 3091-4327   
http://www.usp.br/celacc

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Comitê Intersetorial para Refugiados retoma atividades no Rio de Janeiro


Representantes do ACNUR e da Cáritas-RJ participam de reunião com refugiados que vivem no Rio de Janeiro. Foto: Cáritas-RJ
Instituído em 2010 para promover os direitos dos refugiados e solicitantes de refúgio que vivem no Rio de Janeiro, o Comitê Estadual Intersetorial de Políticas de Atenção aos Refugiados (CEIPAR) iniciou suas atividades de 2014 no último dia 10 de abril, com algumas mudanças estruturais. O principal objetivo das mudanças é acelerar a implementação do Plano Estadual de Políticas de Atenção aos Refugiados e, assim, melhorar as condições de vida daqueles que buscaram refúgio no Estado do Rio.
Após a consulta pública, realizada em 2012, o Comitê organizou-se em seis grupos de trabalho, um para cada eixo temático previsto no Plano Estadual: Documentação, Educação, Trabalho e Renda, Moradia, Saúde e Ambiente Sócio-Cultural e Conscientização. Os grupos se reunirão periodicamente para definir uma ação que deve ser realizada até a reunião seguinte. A próxima acontecerá no dia 15 de maio.
“É fundamental que o poder público se mobilize, articule e execute ações que promovam a integração dos solicitantes de refúgio e refugiados”, afirmou Aline Thuller, coordenadora do Programa de Atendimento aos Refugiados da Cáritas-RJ.
O CEIPAR é coordenado pela Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH) e composto pelas secretarias estaduais de Trabalho e Renda, Saúde, Educação e Segurança, como também pela Defensoria Pública, Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Ordem dos Advogados do Brasil, Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e o Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE).
Entre suas atividades estão a elaboração, implementação e monitoramento do Plano Estadual de Políticas de Atenção aos Refugiados, a articulação de convênios com entidades governamentais e não governamentais e o acompanhamento dos processos de acolhimento no Estado.
O Plano Estadual já foi aprovado pela Assessoria Jurídica do Governo do Estado e aguarda a anuência de todas as secretarias envolvidas quanto às responsabilidades de atuação definidas no documento. Este é o último passo antes da publicação no Diário Oficial do Governo do Estado.
“Mesmo antes da publicação oficial, as ações definidas no plano já estão sendo aplicadas pelos grupos de trabalho. Mas a oficialização é importante, porque traz mais força ao documento. Agora, as políticas de atenção aos refugiados podem ser cobradas de maneira oficial”, explica Patrícia Waked Pontes, assessora-chefe da Superintendência de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da SEASDH.
O Brasil é considerado pioneiro na proteção internacional, pois foi um dos primeiros países da América do Sul a ratificar a Convenção de 1951 relativa ao Estatuto dos Refugiados, em 1960. Em 1958, o Brasil foi também um dos primeiros países a integrar o Comitê Executivo (ExCom) do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Além disso, o Brasil aprovou em julho de 1997 uma legislação específica sobre os refugiados na qual estabelece os direitos e deveres desta população no Brasil.

A guerra religiosa na África


Dalmo Oliveira
Dalmo Oliveira

Por Dalmo Oliveira;Afropress
Vinte duas pessoas, entre elas três colaboradores humanitários da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), mortas em um ataque a um hospital em Nanga Boguila, a 450 km de Bangui, semana passada, exibiram para o mundo todo as conseqüências da brutal guerra por motivos religiosos que a assola a República Centro-Africana (RCA), no coração do continente africano.
A região é marcada pela violência inflamada pela fome, pelo tráfico de armas e pela disputa na mineração de pedras preciosas. A sudeste estão as conflagradas Ruanda, Uganda e o Burundi. Mais acima o complicado Sudão. E o Congo ao Sul.
Segundo a ONU, “(…) Os incidentes de segurança contra os trabalhadores e bens humanitários se multiplicaram nos últimos meses, colocando em risco as operações de salvamento em curso”. Além da questão religiosa, os conflitos se exacerbaram desde que seu líder, o ex-presidente Michel Djotodia, foi obrigado a deixar o poder, os combatentes da ex-rebelião Seleka executam ataques em várias regiões do país, sobretudo no norte.
Informações oficiais da ONU dão conta ainda de que o subfinanciamento histórico da ação humanitária na RCA está prejudicando seriamente a prestação de assistência para 1,9 milhão de pessoas beneficiadas com o Plano de Resposta Estratégica (SRP, na sigla em inglês). O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou recentemente, por unanimidade, uma resolução que autoriza a criação de uma força de paz na República Centro-Africana (RCA) para tentar conter a violência entre cristãos e muçulmanos que afeta o país.
A resolução prevê o desdobramento de uma força de manutenção da paz de até 11.820 integrantes – 10 soldados, 1,8 mil policiais e 20 agentes penitenciários – com o objetivo de estabilizar o país, que sofre uma grave onda de violência e instabilidade há mais de um ano. Ela também autoriza que as tropas francesas que já estão no país atuem em conjunto com as forças da ONU.
A RCA, colonizada por franceses, desde meados do século XXIII, sofreu exploração secular por causa do marfim, da borracha e dos diamantes. A França promoveu instalação de latifúndios nas terras férteis, ali produzindo café e algodão, utilizando mão-de-obra escrava. Companhias francesas chegaram a deter cerca de 70% das terras do país.
Quilombola pra inglês ver
No sábado, 26, um evento reunindo as comunidades quilombolas na região de Pombal atraiu grande número de assessores do Governo do Estado àquela região sertaneja. “I Grande Quilombo – Encontro Sertanejo das Comunidades Quilombolas do Sertão” foi o nome dado ao evento, que ocorreu no sítio São João. A presença do governador na comunidade coincidiu com a realização da plenária regional do Orçamento Democrático, ocorrido no dia seguinte em Pombal. O governador anunciou que no mês de maio as comunidades terão cursos de qualificação profissional e social nas áreas  de corte e costura, artesanato, embelezamento e na área agrícola.
O fato é que as comunidades quilombolas paraibanas precisam muito mais do que cursinhos de capacitação. Muitas delas continuam sem acesso à água tratada, muito menos ao saneamento básico. Outras sofrem porque as estradas de acesso às comunidades rurais ainda são sofríveis. Políticas públicas destinadas à saúde da população negra, ao acesso fundiário à terra, e à promoção cultural desse segmento social ainda são tímidas ou inexistentes.
#somostodosmacacos
A hastag criada por Neymar  no Twitter, inspirada na atitude de Dani Alves em devorar uma banana jogada pela torcida adversária do Barcelona, no domingo passado, 27, se tonou rapidamente num viral nas redes sociais. Os jogadores brasileiros sacaram que o melhor antídoto contra os racistas é levá-los na esportiva, ridicularizando-os com suas próprias provocações. Show de bola!
Dois que se foram…
             A coluna registra com pesar o desaparecimento de dois companheiros que fizeram a diferença enquanto viveram aqui no Ilê aiyê: Pádua Belmont, músico, violonista, compositor, faleceu domingo passado, depois de vários meses de luta contra um câncer pulmonar.  A luta contra a doença  deu origem ao seu último trabalho,  que lançaria em breve: o livro e CD “Os Limites da Dor do Ser”. Pádua  lançou quatro álbuns solos, o último deles, lançado em 2013, intitulado “Luzes do Vale”. Em composições, fez parcerias com Lúcio Lins, Totonho, Zilma Ferreira, Kennedy Costa, Val Mariano, entre outros artistas paraibanos.
No dia anterior foi a óbito meu ex-professor de Metodologia da Pesquisa Científica, William Pinheiro, com quem estudei nos primeiros anos da graduação em Jornalismo, no antigo DAC da UFPB. Foi um dos mestres mais irrequietos daquele período (86-90) em que pude desfrutar de parte de sua bagagem cultural e humanística. Controverso, iconoclasta, irreverente, anti-ortodoxo, alegre, extrovertido, sagaz e comprometido seriam alguns dos adjetivos que caberiam bem ao perfil do professor William Pinheiro. Juntamente com mestres do naipe de José Luiz Braga, Antônio Fausto Neto, Neroaldo Pontes, Francelino Soares, Wellington Pereira e Carmélio Reynaldo, Pinheiro ajudou a formar jornalistas paraibanos (e de outros cantos do Brasil) com espírito crítico, ética e alta capacidade metodológica e cultural. Tenho certeza que a UFPB não terá tão cedo em seus quadros docentes uma mente tão brilhante e um espírito tão libertário. Que o Orun lhe receba bem!